Com explosão de podcasts, áudio vive era revolucionária que lembra estreia da Netflix

Na liderança da audiência mundial, estão os sul-coreanos; 58% deles se disseram ouvintes de podcasts no mês passado

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Paris | AFP

O áudio e o som vivem um de seus momentos mais revolucionários, principalmente graças ao mundo digital e ao fenômeno liderado pelos podcasts. “É a idade de ouro do áudio”, acredita Steve Ackerman, diretor da Somethin’ Else, a maior produtora de podcasts do Reino Unido.

Para ele, o período pode ser comparado ao início da televisão sob demanda, com o surgimento da Netflix.

Os números, de fato, impressionam. Na liderança da audiência mundial, estão os sul-coreanos —58% deles se disseram ouvintes de podcasts no mês passado. Em seguida estão espanhóis (40%) e suecos (38%), de acordo com pesquisa da empresa Statista.

Barack e Michelle Obama conversam durante a gravação do novo podcast da ex-primeira-dama
Barack e Michelle Obama conversam durante a gravação do novo podcast da ex-primeira-dama - Twitter/Divulgação

Nos Estados Unidos, quase 80 milhões de pessoas consomem o formato semanalmente, revelou o último relatório da Edison Research.

Fenômeno parecido pode ser visto também com o audiolivro, tanto que o Spotify lançou em janeiro histórias em áudio próprias, narradas por famosos —entre eles, a atriz Hilary Swank, vencedora do Oscar por “Menina de Ouro”.

Histórias ouvidas podem ser mais palpitantes e cativantes, diz Elizabeth Fresnel, fundadora do Laboratório da Voz na França. Charlotte Pudlowski, que em 2018 foi uma das criadoras do Louie Media, um dos primeiros estúdios de podcasts na França, concorda.

Em sua produção mais recente, “Ou Peut-être une Nuit” (ou talvez uma noite), a jornalista examina os mecanismos de silêncio na violência sexual a partir de diferentes depoimentos de mulheres.

“As vozes delas mostram essa violência”, afirma Pudlowski. Ela diz que narrações hesitam subitamente no episódio e cita uma que trava quando fala a palavra estupro.

“Quando essas histórias são contadas, é fácil cair no sórdido. O áudio, porém, permite evitar o espetacular, o vulgar e encontrar um equilíbrio entre a emoção e a necessidade de ver as coisas de fora”, afirma.

Vendo o corpo, seja a postura, seja as expressões, “é possível eventualmente falsificar as emoções, mas a voz falará muito mais sobre o que alguém é e o que essa pessoa sente”, destaca Fresnel.

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