Auditor que votou a favor de atleta que gritou 'fora, Bolsonaro' assume Funarte

Tamoio Athayde Marcondes também atuou como assessor nos governos Dilma e Temer

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Belo Horizonte

O procurador federeal Tamoio Athayde Marcondes foi nomeado nesta terça (20) como novo presidente da Fundação Nacional de Artes, a Funarte. A nomeação é assinada pelo general Luiz Eduardo Ramos, ministro-chefe da Casa Civil.

Neste mês, a coluna da jornalista Mônica Bergamo antecipou que Marcodes assumiria o cargo e que a expectativa é que a maioria dos diretores da Funarte sejam substituídos nos próximos dias.

O procurador Tamoio Athayde Marcondes, que assume a Funarte
O procurador Tamoio Athayde Marcondes, que assume a Funarte - Reprodução/YouTube/Anafe

Membro do Superior Tribunal de Justiça Desportiva do Voleibol, Marcondes foi um dos relatores que votou pela absolvição da atleta Carol Solberg, que foi levada ao tribunal por ter gritado "fora, Bolsonaro" durante uma entrevista transmitida ao vivo em etapa do Circuito Brasileiro de Vôlei de Praia, no dia 20 de setembro do ano passado.

Marcodes também atuou como assessor jurídico da Vice-Presidência da República do governo Bolsonaro. Segundo seu Portal da Transparência, o profissional ainda foi assessor da Presdiência da República durante o governo Dilma, em 2015. No governo Temer, atuou no Ministério do Esporte.

Marcodes ocupa o lugar que havia ficado vago após a exoneração do coronel Lamartine Barbosa Holanda. A demissão se deu em meio a uma crise do governo com os militares, a maior desde 1977, em que os três comandantes das Forças Armadas pediram demissão conjunta por discordar do presidente da República.

Após deixar o cargo na Funarte, o coronel escreveu uma carta de despedida em que listou o que chama de "imposições equivocadas" da gestão de Mario Frias, secretário especial da Cultura do governo federal, as quais diz que não pôde aceitar.

“Nomeação de pessoal sem correta análise do perfil profissiográfico”, descompromisso com pequenos produtores e propostas equivocadas de parcerias público-privadas de equipamentos como o teatro Cacilda Becker, no Rio de Janeiro, e o Teatro Brasileiro de Comédia, em São Paulo, foram alguns dos problemas listados por Holanda.

Ele disse à Folha que se posicionou contra a privatização de equipamentos culturais públicos sem a participação da Funarte, pois dessa forma faltariam oportunidades para os produtores culturais pequenos acessarem a máquina pública, segundo ele.

Antes de Holanda, o presidente da Funarte era Luciano da Silva Barbosa Querido, webdesigner e bacharel em direito. Ele havia sido por 13 anos funcionário do gabinete de Carlos Bolsonaro na Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro, onde participou dos primeiros passos da família no mundo digital —uma das principais aliadas na ascensão do presidente na vitoriosa eleição presidencial de 2018.

A Folha mostrou em maio que o longo vínculo com a família de Jair Bolsonaro foi encerrado em dezembro de 2017, após ele ser desautorizado pelo então deputado federal, por quem foi chamado de “elemento”.

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