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Lygia Fagundes Telles, morta aos 98, estampou a primeira capa da Ilustrada

Caderno, publicado em 10 de dezembro de 1958, traz relatos da autora e noticia lançamento de "Histórias do Desencontro"

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São Paulo

Consagrada como um dos maiores ícones da literatura nacional, a escritora Lygia Fagundes Telles, morta aos 98 anos, estampou a primeira capa da Ilustrada, em 10 de dezembro de 1958.

O primeiro caderno de cultura da Folha trouxe relatos da escritora e anunciou uma homenagem que ela teria em breve, num jantar com amigos. Na época, Telles havia lançado "Histórias do Desencontro".

"Você gostaria que seus filhos seguissem a mesma carreira que você?", questionou a Folha à escritora e outros famosos da época, na estreia da Ilustrada. "É claro que a tendência dos pais é gostarem que seus filhos sigam a sua carreira. É uma virtude para os pais verem seus filhos brilhar no mesmo setor de atividade em que eles próprios brilharam", respondeu Telles. "Mas, acima de tudo, eu gostaria que meus filhos seguissem a própria vocação. Se tiverem dentro de si a vocação literária, porém, para mim seria um prazer."

O único filho da escritora, Goffredo Telles Neto, seguiu a carreira de cineasta e morreu aos 52 anos, em 2006.

"De um certo modo, eu me transformei numa espécie de testemunha dele e de mim. Quando ele morreu, eu pensei: 'O que estou fazendo aqui? Vou morrer junto?'. E decidi escrever. Sobre ele, nunca. Isso eu não poderia fazer. Mas de um certo modo, a lembrança do meu filho está em tudo", disse a escritora à ​Folha, em 2007, quando lançou seu livro "Conspiração de Nuvens".

Várias notícias num jornal
Esta é a primeira capa da Ilustrada, caderno de cultura da Folha - Reprodução

A escritora morreu em sua casa, na capital paulista, e teve sua morte confirmada pela agente literária Lucia Riff e pela Academia Paulista de Letras.

Telles é um marco na literatura brasileira e recebeu os principais prêmios do setor —foi ganhadora do prêmio Camões em 2005, o maior troféu da literatura em língua portuguesa, além de ter vencido o Jabuti em 1966, 1974, 1996 e 2001. Ela fazia parte da Academia Brasileira de Letras desde 1985, além de pertencer também à Academia Paulista de Letras.

Sua obra conta com títulos incontornáveis como "Antes do Baile Verde", de 1970, "As Meninas", de 1973, "Ciranda de Pedra", de 1954, "O Jardim Selvagem", de 1965, entre outros.

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