Leia poema boêmio de Rimbaud em tradução inédita de Corsaletti

Soneto foi publicado quando o revolucionário poeta francês tinha apenas 16 anos

Arthur Rimbaud

[SOBRE O TEXTO] O soneto nesta página foi publicado em 1870, quando o revolucionário poeta francês tinha apenas 16 anos. Integra a primeira fase importante da poesia de Rimbaud, nomeada pelos críticos de “poemas da felicidade” ou “da plenitude”, marcada por imagens concretas e precisas. No poema em questão, nota-se um elaborado jogo de evocações clássicas (musa, lira) e termos prosaicos (calça, paletó).

rimbaud
O poeta francês Arthur Rimbaud (1854-1891). - Reprodução

Minha Boêmia
(Fantasia)

Eu ia ao léu, os punhos nos bolsos furados;
Meu paletó também tornava-se ideal;
Ia sob o céu, Musa, e a ti era leal;
Ah, que loucos amores sonhei pelos prados!

Minha calça andarilha tinha um grande furo.
— Pivete sonhador, eu lançava ao redor
As rimas. Meu albergue era à Ursa Maior.
As estrelas no céu tinham um doce sussurro

E eu as ouvia, sentado à beira do atalho,
Nas boas noites de setembro, quando o orvalho
Vertia em minha fronte o vinho do verão; 

Quando, rimando em meio à escuridão fantástica,
Eu tangia, feito lira, os fios elásticos
Dos sapatos, um pé perto do coração!


Arthur Rimbaud foi um poeta francês (1854-1891).

Tradução de Fabrício Corsaletti, poeta, cronista e tradutor, autor de “Esquimó” e “Baladas” (Companhia das Letras).

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