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Economista do Google nega monopólio no setor

Hal  Varian criticou visão negativa que a UE tem de Google, Apple, Facebook e Amazon

Logo do Google em Paris, na França
Logo do Google em Paris, na França - Charles Platiau/Reuters
Silas Martí
Nova York

Os gigantes da tecnologia não jogam todos no mesmo time, pelo menos na visão de um deles. Num debate em Nova York, Hal  Varian, economista-chefe do Google, criticou a visão negativa que a União Europeia tem do GAFA, termo inventado para batizar o monopólio formado pela empresa dele junto de Apple, Facebook e Amazon.

"Eles argumentam que essas plataformas exercem um poder monopolístico desmedido, mas quando você olha para cada uma delas vê que elas competem umas com as outras", disse Varian, diante de um auditório lotado no Council on Foreign Relations, um think tank em Manhattan.

"O Google e a Apple têm sistemas operacionais que concorrem um com o outro e fazem seus próprios telefones. E quem pensaria que a Amazon faria sua própria nuvem de dados? Eles estão todos competindo", afirmou. "E a competição é que impulsiona a inovação nessa área."

Ele comentava, no caso, as tentativas de alguns governos europeus de impor regras antitruste às maiores e mais poderosas firmas de tecnologia. Países como Irlanda, França, Alemanha e Itália, por exemplo, já tentaram cobrar mais impostos sobre operações dessas firmas no continente.

Mas Varian acredita não só que o GAFA não seja um monopólio monstruoso como estará no centro da economia global num futuro próximo.

Ele prevê uma escassez cada vez maior de trabalhadores nos próximos anos, em especial nas economias desenvolvidas, onde um número reduzido de jovens na força de trabalho terá de sustentar uma maioria de aposentados.

"Viemos de uma época em que nunca faltaram trabalhadores, a geração dos baby boomers, as mulheres entrando no mercado de trabalho, lembrou. Mas o futuro parece bem diferente. Teremos sérias crises demográficas nas décadas seguintes."

Na visão dele, os robôs e a automação vão substituir postos de trabalho que aos poucos vão deixar de existir, criando até novas vagas em outros setores da economia, lembrando que os ascensoristas quase extintos assumiram outras funções em lojas de departamento e prédios de escritórios em todo o mundo.

"Já teríamos carros autônomos se não fosse por esses humanos desagradáveis que insistem em dirigir seus carros", disse. "Eles é que são o problema e fazem com que seja difícil um carro navegar sozinho pelas ruas, mas teremos esses carros em breve."

Mesmo que imagine uma revolução num futuro próximo, Varian disse que essa nova economia calcada em robôs e automação não terá um impacto tão destruidor sobre o mercado de trabalho atual como podem fazer acreditar alguns veículos de imprensa.

E fez outra previsão para jornais e revistas, imaginando para o setor a mesma revolução causada pelo Netflix no mercado da televisão. Na opinião dele, o modelo de exibir conteúdo de graça bancado por comerciais acabou se tornando defasado demais.

"Toda a energia criativa está indo para a produção nessas plataformas sob demanda", disse Varian. "E os jornais vão seguir o mesmo caminho, vão dar cada vez mais peso ao modelo baseado em pagamentos e assinaturas."

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