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"New York Times" ultrapassa US$ 1 bi de receita com assinaturas em 2017

A empresa conquistou 157 mil assinantes pagantes no 4º trimestre, alta de 49%

Fachada do prédio do "New York Times", em Nova York
Fachada do prédio do "New York Times", em Nova York - Don Emmert/AFP
Shannon Bond
Nova York

As ações do "New York Times" subiram à sua cotação mais elevada em mais de uma década, enquanto o jornal reportava uma grande alta em suas assinaturas digitais e receita, para o final do ano passado.

A empresa conquistou 157 mil assinantes pagantes no quarto trimestre, alta de 49% ante o período no ano anterior, que incluiu a eleição presidencial norte-americana e o chamado "Trump bump" - a alta no número de leitores registrada por alguns dos veículos de mídia que estão entre os alvos favoritos do presidente.

O "New York Times" agora tem mais de 2,6 milhões de assinantes digitais. A receita geral com assinaturas ultrapassou o US$ 1 bilhão pela primeira vez em 2017, e responde por 60% das vendas da empresa.

As ações da New York Times Co. subiram em mais de 14%, para US$ 25,33, no pregão da tarde em Nova York, sua mais alta cotação desde 2007.

Em um momento no qual as companhias jornalísticas enfrentam dificuldades por conta do declínio das operações tradicionais em mídia impressa e da concorrência do Google e Facebook pelas verbas de publicidade digital, o jornal mudou de estratégia comercial e passou a depender mais de leitores pagantes e menos de anunciantes.

"Continuamos a encarar a publicidade como fonte importante de receita, mas acreditamos que nosso foco em estabelecer relacionamentos estreitos e duradouros com usuários pagantes e engajados... seja a melhor maneira de construir um negócio noticioso sustentável e bem sucedido", disse Mark Thompson, presidente-executivo da New York Times Co.

Para manter os leitores conquistados durante o frenético ciclo noticioso da eleição de 2016 e do primeiro ano de governo de Trump, a empresa enfatizou a qualidade de suas reportagens. Isso incluiu um comercial de TV no qual ela destacava sua cobertura sobre casos de assédio sexual, veiculado durante a cerimônia de premiação do Globo de Ouro, no mês passado.

Thompson disse que a empresa se sentia encorajada pela "forte retenção" de leitores. "Acreditamos que continue a haver uma grande oportunidade de estender o alcance de nossas assinaturas, e continuaremos a investir nas áreas do negócio que nos permitam atingir esse crescimento", ele disse.

A empresa também anunciou que estava a mais de meio caminho de atingir sua meta quinquenal de um faturamento digital de US$ 800 milhões até 2020.

A receita direta das operações digitais, envolvendo assinaturas e publicidade online e a receita afiliada de vendas do Wirecutter, um site de resenhas de produtos operado pelo grupo, atingiu os US$ 670 milhões no final de 2017. A receita total subiu em 8%, para US$ 1,68 bilhão.

No quarto trimestre, a receita subiu em 10%, para US$ 484,1 milhões, bem acima da previsão de US$ 467,3 milhões dos analistas. A publicidade em mídia impressa caiu em 8,4%, no entanto, e as vendas totais de publicidade caíram em 1,3%.

A receita com assinaturas exclusivamente digitais, incluindo os produtos de palavras cruzadas e gastronomia, cresceu em 51%, e a venda geral de assinaturas cresceu em 19%.

A alta dos custos e despesas com aposentadorias significaram prejuízo trimestral líquido de US$ 57,8 milhões, ou 35 centavos de dólar por ação, para a companhia no período, ante lucro líquido de US$ 37,6 milhões, ou 23 centavos por ação, no quarto trimestre de 2016.

Tradução de PAULO MIGLIACCI

Financial Times
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