Trump afirma que será 'muito flexível' com tarifas sobre aço

Americano indicou que poderia aliviar para países que tratam os EUA de forma justa no comércio

O presidente americano, Donald Trump, durante reunião na Casa Branca
O presidente americano, Donald Trump, durante reunião na Casa Branca - Evan Vucci/Associated Press
Estelita Hass Carazzai
Washington

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta quinta (8) que será “muito flexível” em sua decisão sobre as tarifas de importação sobre aço e alumínio que será anunciada oficialmente a partir de 17h30 (horário de Brasília). 

“Nós seremos muito flexíveis, mas queremos ser tratados com justiça”, afirmou o republicano, em breve declaração à imprensa. 

Trump voltou a afirmar que poderá abrir exceções para México e Canadá, dois dos principais parceiros comerciais dos EUA, em função das renegociações do Nafta (Acordo de Livre Comércio da América do Norte), e citou pela primeira vez a Austrália, “um grande país e parceiro de longa data”. 

“Vamos fazer algo com eles e também com outros países”, declarou Trump, sem entrar em detalhes. Ele pode anunciar oficialmente a medida ainda nesta quinta (8). 

O Brasil, segundo maior exportador de aço aos EUA, não foi mencionado. Autoridades e empresários brasileiros ainda trabalham nos bastidores para tentar estabelecer exceções ao país ou aos produtos semiacabados, principal fonte da exportação aos norte-americanos. 

As sobretaxas de 25% sobre o aço e 10% sobre o alumínio importados teriam efeitos desastrosos na indústria siderúrgica do Brasil –que, no ano passado, vendeu US$ 2,63 bilhões (cerca de R$ 8,5 bilhões) em aço aos EUA. Além disso, a medida deve gerar impacto na própria indústria americana, que não tem produção suficiente para dar conta da demanda. 

O Brasil está atualmente em desvantagem em uma das principais obsessões de Trump: a balança comercial. No ano passado, pela primeira vez em oito anos, o Brasil teve um superávit com os EUA de US$ 2,1 bilhões. 

 Trump tem dito que quer reduzir os déficits comerciais dos Estados Unidos, que ele associa à perda de empregos na indústria local. Mas a cifra brasileira é minúscula perto do déficit dos EUA com o principal alvo do presidente, a China: são US$ 21 bilhões de déficit por mês com o país asiático. 

Para autoridades brasileiras, ainda há espaço para que a alíquota seja negociada. O principal argumento é que o aço exportado aos EUA pelo Brasil é complementar à produção americana, e não um concorrente direto.

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