Descrição de chapéu investimento

XP pressiona Banco Central por venda ao Itaú

Cúpula de plataforma de investimentos procura Ilan para evitar entraves a negócio de R$ 5,7 bi que precisa de aprovação

Guilherme Benchimol, sócio-fundador da XP Investimentos - Danilo Verpa - 15.mai.17/Folhapress
Julio Wiziack Mariana Carneiro
Brasília

Antevendo entraves à operação com o Itaú Unibanco, a cúpula da XP Investimentos se reuniu com a diretoria do Banco Central nesta sexta-feira (27), em São Paulo.

O dono da plataforma de investimentos, Guilherme Benchimol, esteve com o presidente do BC, Ilan Goldfajn, e diretores. Uma hora antes, foi a vez do presidente do conselho de administração do Itaú, Roberto Setúbal.

A XP marcou a reunião para aplacar rumores de que o BC reprovará a operação.

Setúbal negou ter discutido o negócio com Goldfajn. "Não tratei de nada relacionado à XP", disse.

A compra da XP Investimentos pelo Itaú é um negócio de pelo menos R$ 5,7 bilhões, a ser feito em etapas e concluído em 2022. A plataforma de investimentos se tornou a maior do país e é uma importante concorrente dos bancos --incluindo o Itaú.

Está nas mãos da diretoria do BC a análise da operação após o Cade (conselho de defesa da concorrência) ter dado sinal verde, impondo restrições, em março. Para o negócio ser concluído, é necessário o "duplo sim".

A preocupação ganhou força depois de uma declaração do ex-presidente do BC Arminio Fraga, que condenou a compra da XP pelo Itaú por haver risco de concentração.

Segundo pessoas envolvidas na análise da aquisição, o BC estuda aprovar o negócio, porém deverá impor restrições adicionais que limitarão a influência do Itaú na XP.

O veto está descartado, dizem, porque a análise do risco à concorrência já foi concluída pelo Cade, e o BC não poderia apresentar argumentos totalmente diferentes.

A operação é a primeira que é analisada à luz do memorando de entendimentos entre os dois órgãos, em que as equipes técnicas trocaram informações e também impressões sobre o tema.

No entanto, para garantir a independência operacional da XP, o BC deverá impor condições mais severas do que as do Cade.

Uma das restrições em estudo é proibir que o Itaú tenha representantes no conselho de administração da XP, mesmo adquirindo o controle.

No acordo com o Cade ficou acertado que o Itaú não poderá ter capacidade de decisão na XP até concretizar a compra do controle, em 2022. Mas poderá indicar dois representantes no conselho de administração da XP, formado por sete integrantes.

Na análise feita pelo Cade, dois conselheiros (Cristiane Alkmin e João Paulo de Resende) vetaram a operação.

Em seu voto, Alkmin criticou a potencial influência do Itaú via conselho de administração da XP.

"Teria sido oportuno exigir que o Itaú (...) não indicasse absolutamente ninguém para a XP. Nem para o conselho de administração, nem para qualquer cargo executivo", afirmou.

Os conselheiros demonstraram a preocupação de que a compra da XP pelo Itaú poderá abrir a possibilidade de que outros bancos avancem sobre concorrentes que despertam entre as fintechs (empresas de tecnologia do setor financeiro).

Além disso, com a operação, observou Alkmin em seu voto, o Itaú abocanha a base de clientes construída pela XP, obtida graças ao avanço sobre a clientela dos bancos.

Ao funcionar como um supermercado digital de investimentos, a XP conquistou clientes de instituições financeiras tradicionais em razão da oferta de um cardápio mais variado de aplicações, que inclui opções em diferentes bancos e fundos.

Nos bancos, os clientes só adquirem produtos lançados ou administrados pela própria instituição e, em geral, com retornos mais baixos.

As críticas de Arminio causaram apreensão entre os acionistas da plataforma de investimentos e do banco porque, segundo eles, Fraga é mentor de uma geração de economistas do BC.

Além disso, a análise da operação ocorre em um momento em que Goldfajn e sua equipe atua em diferentes frentes para fomentar a competição no setor financeiro e baixar os juros ao consumidor por meio da concorrência.

Apesar da queda da taxa básica, administrada pelo BC, as taxas cobradas pelos bancos não estão cedendo na mesma velocidade, e este é um dos motivos da lenta recuperação.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.