Para Ilan, resolver 'questão da Eletrobras' é dever de casa para o Brasil

Presidente do BC afirmou ainda que país não cai 7,8%, como no acumulado de 2015 e 2016, sem 'guerra'

Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante fórum no encontro do Banco Mundial e FMI
Presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn, durante fórum no encontro do Banco Mundial e FMI - Jose Luis Magana/AP
Danielle Brant
São Paulo

A 'questão da Eletrobras' está entre os deveres de casa que o país precisa fazer para continuar crescendo, junto com reformas estruturais como a da Previdência, afirmou nesta sexta-feira (27) o presidente do Banco Central, Ilan Goldfajn.

Em palestra a estudantes do Ibmec em São Paulo, Ilan voltou a defender a aprovação de reformas para manter o atual cenário de inflação controlada —o índice oficial de preços está em 2,68% no acumulado em 12 meses até março—  e juro baixo —a taxa básica Selic está em 6,5% ao ano, com expectativa de nova queda, para 6,25%, em maio. 

"Nós vamos ter que fazer nosso dever de casa, as reformas, aprovar a reforma da Previdência, vamos ter que colocar as contas públicas em ordem, vamos ter que manter a inflação baixa, o juro baixo, trabalhar para manter as contas públicas baixas", afirmou.

"Temos também que fazer as outras reformas de que a gente precisa, entre elas a questão da Eletrobras, enquanto o cenário internacional ainda é benigno."

O governo anunciou, em agosto do ano passado, a privatização da estatal, como uma forma de gerar caixa. Mas, até agora, o processo de venda da elétrica não avançou.

Esse cenário benigno, segundo Ilan, antecede o aguardado aumento de juros promovido pelo Federal Reserve (Fed, banco central americano). Economistas e analistas esperam pelo menos mais dois aumentos de juros no país neste ano. Nesta semana, porém, a possibilidade de altas adicionais provocou uma valorização do dólar no Brasil —a moeda americana chegou a R$ 3,50.

O presidente do Banco Central defendeu ainda o controle da inflação realizado durante o governo Michel Temer, que teve início em maio de 2016, com o afastamento da presidente Dilma Rousseff.

"A inflação caiu rápido, o que dá uma certa credibilidade à queda da Selic. Ela não vai voltar a subir se a inflação subir muito. A Selic caiu de uma forma sustentável, o que não significa que não possa subir um pouco ou cair um pouco. Mas foi uma queda baseada na inflação."

Ilan destacou ainda a recuperação da economia brasileira, após a recessão registrada em 2015 e 2016 —o Brasil recuou 3,5% em cada ano.

"Houve uma queda importante na atividade, uma queda acumulada de 7,8%. Essa queda não foi uma queda normal, um país não cai 7,8% em tempos de paz, sem guerra, sem conflito", disse. Ele atribuiu a queda a um "passado recente de excesso, onde se exagerou e teve que recuar."

"Exagerou-se no crescimento dos gastos públicos. Ao contrário de superávit, houve um déficit enorme. Houve crescimento de despesas. Como você aumentou muito, agora estamos penando ano após ano para ver se a gente consegue reduzir", ressaltou.

O presidente do Banco Central ressaltou ainda que o Brasil está longe de experimentar um liberalismo econômico. "Temos vários aspectos que amarram nossa capacidade de fazer negócios, leis que dizem o que fazer ou não fazer. Sair obrigando ou proibindo por lei gera uma rigidez muito grande", complementou.

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