Descrição de chapéu petrobras

Congressistas cobram mudança na política de preços da Petrobras

Alguns parlamentares já pressionam pela saída do presidente da estatal, Pedro Parente

Ranier Bragon Bernardo Caram
Brasília

Integrantes da cúpula do Congresso Nacional cobraram nesta sexta-feira (25) mudança na política da Petrobras para os preços dos combustíveis, movimento que se soma à pressão, por parte de alguns parlamentares, pela saída do presidente da estatal, Pedro Parente.

O presidente do Senado, Eunício Oliveira (MDB-CE), que é do partido de Temer, defendeu a abertura da planilha de valores da estatal.

“Cabe ao Executivo mudar a política de preços da Petrobras. No meu entendimento, ela está equivocada”, afirmou Eunício. Ele disse que o Congresso irá promover uma comissão geral na próxima terça-feira (29) para discutir a crise dos combustíveis.

Desde junho de 2017 a estatal anunciou que os reajustes dos combustíveis passariam a ser diários. Os preços são influenciados pelo valor internacional do barril de petróleo e pela cotação do dólar.

 O presidente da Petrobras Pedro Parente fala com a imprensa, cercado por microfones de diversos veículos
O presidente da Petrobras Pedro Parente fala com a imprensa após reunião para tratar da escalada do preço dos combustíveis - Pedro Ladeira/Folhapress

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM), que também é aliado do governo, afirmou que a política de preços precisa passar por ajuste para evitar aumentos diários e sucessivos em períodos de alta acentuada do petróleo.

“Isso está errado, a Petrobras pode mudar. Não significa interferência no preço dela. Ela não deveria todo dia transferir o preço do aumento do câmbio, da desvalorização do câmbio pro preço. É uma questão de organização da política da Petrobras, não é uma interferência na política da Petrobras, são coisas diferentes”, disse. 

Para o deputado, o governo deveria compensar o aumento do preço do petróleo reduzindo impostos regulatórios, como Cide e PIS/Cofins.

No acordo assinado na quinta (24) com movimentos de caminhoneiros para buscar o fim da greve, o governo deixou claro que os termos do compromisso não afetariam a política de preços e a autonomia da Petrobras.

Maia afirmou não defender a saída de Parente.“Confio nele, não acho que ele é o problema. Acho que ele acredita, e quando a gente acredita as vezes a gente pode errar, mas acho que ele tem muito bom senso de entender que pode ser construída uma regra em que a Petrobras não saia prejudicada, mas que a sociedade não tenha essa instabilidade permanente.”

Congressistas têm defendido a demissão do presidente da estatal —incluindo governistas como o senador tucano Cassio Cunha Lima (PSDB-PB).

O senador Ronaldo Caiado (DEM-GO) faz coro com o tucano. Para ele, Parente tem uma visão estritamente empresarial e ignora o cenário econômico e social.

“Se você acha que é dono da verdade e não tem conversa, não tem condições de continuar [no cargo]. Acho que se ele não se sente confortável em mudar a prática, ele mesmo deveria sair”, disse.

Líder do PSDB no Senado, Paulo Bauer (SC) não concorda com o desligamento de Parente, mas ressalta que ouviu muitas reclamações de empresas sobre a política da estatal.

“Estabelecer uma média para corrigir por mês, ou trimestralmente, é o que pleiteiam as empresas transportadoras por uma questão de segurança jurídica”, disse.

O deputado Marcus Pestana (PSDB-MG) criticou Cunha Lima, afirmando que sua declaração foi irresponsável. “Parente está fazendo um trabalho excepcional de recuperação da empresa”, afirmou ele, segundo quem as legítimas reivindicações de caminhoneiros estão misturadas a “interesses empresariais, especulação comercial, oportunismos políticos de setores radicais à direita e à esquerda, equívocos governamentais e inércia do Congresso”.

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