Dólar sobe para R$ 3,55 por cautela com acordo nuclear com Irã

Bolsa cai 0,5% pressionada por forte desvalorização de ações da Eletrobras

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Presidente americano, Donald Trump, vai anunciar decisão sobre acordo com Irã nesta terça
Presidente americano, Donald Trump, vai anunciar decisão sobre acordo com Irã nesta terça - Nicholas Kamm/AFP
São Paulo

O dólar acompanhou o exterior nesta segunda-feira (7) e voltou a R$ 3,55 em meio à ameaça do presidente americano, Donald Trump, de deixar o acordo nuclear com o Irã, o que aumentou a aversão a risco nos mercados internacionais. A Bolsa caiu pressionada pela forte desvalorização da Eletrobras.

O dólar comercial fechou em alta de 0,82%, para R$ 3,553. É o maior nível desde 2 de junho de 2016, quando terminou a R$ 3,588. O dólar à vista, que fecha mais cedo, se valorizou 0,79%, para R$ 3,546.

O Ibovespa, índice das ações mais negociadas, teve queda de 0,49%, para 82.714 pontos. O volume negociado no dia foi de R$ 9,1 bilhões —a média diária do ano está em R$ 11,1 bilhões.

​A piora no humor ocorreu após o americano Donald Trump dizer, no Twitter, que vai anunciar nesta terça (8) a decisão sobre sua permanência no acordo nuclear com o Irã. 

O pacto foi acertado entre Irã, EUA, Rússia, Reino Unido, França, China e Alemanha em 2015 com o objetivo de interromper o programa nuclear do Irã, que recebeu em troca alívio das sanções econômicas impostas ao país pela comunidade internacional.

Nesta segunda, Trump ameaçou deixar o acordo, e condicionou a permanência dos EUA no pacto a que os signatários europeus consertem o que ele chamou de falhas.

Em resposta, Alemanha e França prometeram manter o acordo mesmo se os EUA abandonaram o pacto. O ministro de Relações Exteriores alemão disse que o mundo ficaria menos seguro sem o pacto com Teerã.

Já o chanceler francês afirmou que França, Reino Unido e Alemanha vão manter o acordo nuclear de 2015 com o Irã independentemente da decisão que for tomada pelos Estados Unidos, considerando essa a melhor forma de evitar a proliferação nuclear.

Como resposta ao aumento da preocupação, o dólar ganhou força ante 24 das 31 principais moedas.

Já petróleo teve alta nesta sessão. O barril do Brent, negociado em Londres, subiu 0,89%, para US$ 75,54. O WTI, dos Estados Unidos, registrou avanço de 0,40%, para US$ 70.

A commodity atingiu níveis não vistos desde o fim de 2014, impulsionada pelos mais recentes problemas na petroleira estatal venezuelana PDVSA e pela possibilidade de sanções ao Irã.

"Essas declarações do Trump impactam o dólar, e, em dia de agenda fraca, acabam movimentando o mercado", diz Vitor Suzaki, analista da Lerosa Investimentos.

Nesta segunda, o Banco Central vendeu pelo terceiro dia a oferta integral de 8.900 contratos de swaps cambiais tradicionais (equivalentes à venda de dólares no mercado futuro). Até agora, o BC já rolou US$ 1,335 bilhão dos US$ 5,650 bilhões que vencem em junho.

O CDS (credit default swap, espécie de termômetro de risco-país) se valorizou 2,5%, para 190 pontos. 

No mercado de juros futuros, os contratos mais negociados tiveram resultados mistos. O DI para julho deste ano ficou estável em 6,245%. O DI para janeiro de 2019 teve alta de 6,275% para 6,310%.

AÇÕES

Das 67 ações do Ibovespa, 15 subiram e 52 caíram.

O índice estreou nova carteira nesta segunda, com a mineradora Vale desbancando o Itaú Unibanco com o papel de maior peso no Ibovespa.

As ações da Eletrobras despencaram nesta sessão após divergências dentro da diretoria da Aneel (agência reguladora do setor elétrico) envolvendo a privatização da estatal. A origem da disputa é um ofício assinado pelo diretor-geral do órgão, Romeu Rufino, apontando que a medida provisória 814, em tramitação no Congresso, poderá trazer encargos adicionais à conta de luz ao consumidor.

Os papéis ordinários da Eletrobras caíram 9,15%, e os preferenciais recuaram 8,07%.

"Cada vez mais estamos menos otimistas com relação ao processo de privatização da Eletrobras. Temos pressão dos governadores do Nordeste e a base do governo está dividida. Mesmo esse tema encontra resistência na base", avalia Rafael Passos, analista da Guide Investimentos.

As ações da Gol recuaram 5,53%, afetadas pelo aumento dos preços do petróleo e também pela alta do dólar —ambos pressionam os custos da aérea.

Na ponta positiva, as ações da Petrobras subiram, amparadas pela alta do petróleo. Além disso, as ações refletiram a expectativa de investidores com o resultado da estatal, que será divulgado nesta terça.

Os papéis mais negociados avançaram 1,71%, para R$ 22,65. As ações ordinárias subiram 3,56%, para R$ 24,74.

"Há uma perspectiva positiva para o balanço, pela forte alta do petróleo no primeiro trimestre. Podemos ter uma redução forte do endividamento da Petrobras. Também há a nova política de dividendos, em meio à expectativa com o lucro mais expressivo", afirma Passos.

A mineradora Vale recuou 0,93%, para R$ 49,24.

No setor financeiro, os papéis do Itaú subiram 0,15%. As ações preferenciais do Bradesco perderam 0,91%, e as ordinárias tiveram queda de 1,26%. O Banco do Brasil teve baixa de 0,11%, e as units —conjunto de ações— do Santander Brasil se desvalorizaram 0,85%.

  • Salvar artigos

    Recurso exclusivo para assinantes

    assine ou faça login

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.