Apple reduz liderança do Spotify no mercado de música dos EUA

Novo álbum de Drake foi executado 170 mi de vezes na Apple Music ante 130 mi no Spotify em 24h

Logo do Spotify na Bolsa de Nova York
Logo do Spotify na Bolsa de Nova York - Lucas Jackson/Reuters
Nova York | Financial Times

A vantagem do Spotify  sobre o serviço de streaming de música da Apple está se reduzindo nos Estados Unidos, e isso abala a imagem de invencibilidade do serviço pioneiro de streaming de música, que abriu seu capital recentemente.

Embora o Spotify continue a manter grande vantagem no mercado mundial, o crescimento mais rápido da Apple no maior mercado de música do planeta reflete a capacidade da companhia para promover seus serviços junto aos usuários de seus aparelhos, como o iPhone.

A crescente relevância da Apple Music no mercado de streaming foi demonstrada nas duas últimas semanas pelo lançamento do álbum Scorpion, de Drake, que deve se tornar o maior sucesso do ano. Nas primeiras 24 horas do lançamento, o álbum foi executado 170 milhões de vezes na Apple Music ante 130 milhões de vezes no Spotify, ainda que o número total de usuários deste último serviço seja três vezes maior.

Segundo o executivo de uma gravadora, no Spotify não havia como navegar em torno de Drake, mas a Apple conseguiu realmente promover o engajamento.

Spotify, Apple e outros serviços de streaming não revelam publicamente seu total de assinantes em cada país em que operam, mas reportam esses números para os distribuidores de música e gravadoras.

Na semana passada, a Apple tinha entre 21 milhões e 21,5 milhões de assinantes de música nos Estados Unidos, e o Spotify tinha entre 22 milhões e 22,5 milhões. Um ano atrás, o Spotify tinha 17 milhões de assinantes nos Estados Unidos, ante 13 milhões de assinantes para a Apple, disseram pessoas informadas.

Os executivos do setor de música antecipam que a Apple supere o Spotify em número de assinantes nos Estados Unidos já no mês que vem. A empresa deve atingir a marca dos 27 milhões de assinantes, até o final do ano, ante 24 milhões para o Spotify, de acordo com projeções internas vistas pelo Financial Times.

O serviço de música da Apple também vem crescendo mais rápido que o Spotify no Reino Unido e Canadá, países em que a iTunes Store, da Apple, sempre foi popular, disseram os executivos.

"O Spotify sempre teve como alvo os amantes da música, que tendem a ser mais moços e a estar entre os pioneiros na adoção do streaming", disse Mark Mulligan, analista da Media Research. "Boa parte dessa base já foi atraída, agora, enquanto a Apple conta com uma base de clientes muito maior. Eles têm acesso fácil aos clientes mais convencionais, porque a [Apple Music] já vem em seus celulares, e suas informações de pagamento já estão registradas".

No plano mundial, o Spotify continua a ser líder na música digital, por ampla margem. A empresa, que também oferece um serviço de streaming de música gratuito, informou que tinha 75 milhões de assinantes pagantes no final de março, e que antecipava que o número crescesse para perto de 100 milhões antes do final do ano.

A informação mais recente da Apple sobre seu número de assinantes veio em maio, quando ela atingiu os 50 milhões de assinantes, embora o número incluísse pessoas que se inscreveram para um período de teste gratuito, o que infla a contagem.

A Amazon se tornou um terceiro competidor na disputa; a empresa informou em abril que seu serviço de streaming de música tem "dezenas de milhões" de assinantes, mas se recusou a fornecer o número exato.

O Spotify enfrenta escrutínio maior sobre seu número de assinantes agora que abriu seu capital —os investidores estão interessados no crescimento da base de assinantes porque a empresa, cujo valor de mercado é de US$ 30 bilhões, ainda está no vermelho.

Ela tenta promover a ampliação de sua base de assinantes, e em abril anunciou um pacote de assinatura em parceria com o serviço de streaming de vídeo Hulu, concorrente da Netflix. O Spotify também ofereceu um teste de três meses de seu serviço pago por US$ 00,99 centavos, em alguns mercados, e reformulou seu serviço gratuito para ajudar a atrair clientes para o novo app.

A companhia vai reportar os dados mais recentes sobre seu número de assinantes em 26 de julho, quando anunciará seus resultados trimestrais.

Daniel Ek, cofundador e presidente-executivo do Spotify, minimizou as preocupações quanto à ameaça da Apple. "Vão vemos impacto significativo da competição", ele disse em conversa com investidores em maio. "Não acreditamos que esse seja um mercado em que o vencedor fica com tudo".

Apple e Spotify não quiseram comentar.
 
Tradução de PAULO MIGLIACCI

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