Em declaração final, Brics dizem que comércio global enfrenta desafios sem precedentes

Cúpula que celebra os dez anos do bloco teve como tema principal a guerra comercial entre EUA e China

Nicola Pamplona
Joanesburgo

Na declaração conjunta da décima cúpula do Brics, os países membros do grupo (que reúne Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul) dizem que o comércio global enfrenta "desafios sem precedentes" e reforçam a defesa do papel da OMC (Organização Mundial do Comércio) na solução de conflitos comerciais.

A cúpula iniciada na quarta (25) na África do Sul celebra os dez anos do bloco, mas teve como tema principal a guerra comercial entre Estados Unidos e China e seus impactos na economia global. A questão ganhou destaque na declaração final aprovada pelos chefes de Estado.

"Nós reconhecemos que o sistema de comércio multilateral está enfrentando desafios sem precedentes. Nós reforçamos a importância de uma economia global aberta, permitindo que todos os países e povos compartilhem os benefícios da globalização", diz o texto.

No documento, os países membros ressaltam que o sistema de resolução de controvérsias da OMC é uma das bases do comércio internacional e foi desenvolvido para garantir segurança e previsibilidade. O organismo vem sendo constantemente questionado pelo governo Donald Trump.

A declaração ressalta ainda preocupação com impasse na escolha de membros do órgão de apelação da OMC, alegando que a demora pode paralisar os processos. As nomeações vem sendo bloqueadas pelos Estados Unidos desde a gestão Barack Obama. "Nós incitamos todos os membros a nos engajarmos de forma construtiva para endereçar esse desafio como prioridade", afirmam, na declaração, os países do Brics.

O aumento do protecionismo voltou a ser tema de discursos durante a sessão desta quinta (26), principalmente por parte do presidente da China, Xi Jianping, que defendeu a solução de disputas "por diálogo e não por confronto".

"Só somos competitivos quando somos abertos", afirmou o presidente Michel Temer. "Abertos a insumos mais sofisticados, abertos a tecnologias mais avançadas, abertos a mais comércio."

Os países assinaram três memorandos de entendimento nesta quinta. Um deles prevê parceria no desenvolvimento da aviação regional, outro fala em cooperação em assuntos de meio ambiente e o terceiro prevê a abertura, em São Paulo, de um escritório do Novo Banco de Desenvolvimento (NDB, na sigla em inglês, conhecido como banco do Brics).

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