Bancos de investimentos se dividem sobre saída de Tesla da Bolsa

Nenhuma empresa do porte da companhia de Musk teve seu capital fechado, em vez de ser adquirida por uma empresa maior

A avaliação pelo presidente-executivo da Tesla, Elon Musk, de um negócio de US$ 72 bilhões (R$ 292 bilhões) para fechar o capital da montadora de carros elétricos está apresentando um dilema para os bancos de investimentos: ignorar as preocupações sobre a viabilidade do negócio ou se arriscar a perder o que pode ser a maior e mais importante aquisição de alto perfil deste ano.

Musk não apenas pegou investidores e analistas desprevenidos no início do mês, ao anunciar no Twitter que estava considerando fechar o capital da fabricante de carros elétricos dos Estados Unidos. Ele também chacoalhou o mundo dos bancos de investimento, que reagiu às notícias com entusiasmo e perplexidade.

Elon Musk em coletiva de imprensa, em Nevada, nos EUA
Elon Musk em coletiva de imprensa, em Nevada, nos EUA - Cathleen Allison/AP

Isso ocorre porque nenhuma empresa do tamanho da Tesla teve seu capital fechado por investidores financeiros, como Musk sugeriu, em vez de ser adquirida por uma empresa maior. Além disso, o método padrão de fazer isso, sobrecarregar a empresa com dívidas na chamada compra alavancada, não é uma opção para a Tesla, uma vez que tem uma dívida de cerca de R$ 11 bilhões e não está fazendo dinheiro. A Tesla registrou prejuízo operacional de US$ 1,6 bilhão (R$ 6,4 bilhões) no ano passado.

O debate sobre a viabilidade do acordo polarizou os banqueiros. Durante uma teleconferência realizada em um banco de investimentos na semana passada, a discussão sobre se o acordo representava uma grande oportunidade ou uma tolice acabou em gritaria, segundo executivo de um banco que forneceu os detalhes sob a condição de que seu nome e do banco fossem mantidos em sigilo.

"Dado o tamanho de um acordo, a capacidade de endividamento e o fluxo de caixa da empresa, os banqueiros parecem igualmente preocupados com o fato de o acordo acontecer em breve", disse Stefan Selig, ex-executivo do Bank of America e fundador da firma de assessoramento financeiro e estratégico BridgePark Advisors LLC, que não está envolvida no negócio.

Os banqueiros que desejam assessorar o negócio estão cortejando Musk e o comitê especial do conselho da Tesla, que irá considerar de forma independente os méritos da oferta esperada de Musk.

Trabalhar para Musk também pode implicar risco para a reputação, já que a SEC (Comissão de Valores Mobiliários, orgão regulador dos mercados dos EUA), está investigando a precisão da afirmação de Musk no Twitter de que o financiamento da operação estava garantido, disseram fontes.

No entanto, muitos banqueiros disseram que isso não seria um impedimento, dada a magnitude do possível acordo.

Musk, que detém cerca de 20% da Tesla, disse em um post em um blog na semana passada que o tamanho efetivo do acordo seria muito menor do que a avaliação de US$ 72 bilhões (R$ 292 bilhões) da oferta, porque, segundo sua estimativa, dois terços dos acionistas da empresa devem escolher a opção de "rolar" suas participações e continuar como investidores da empresa de capital fechado, em vez de embolsar os ganhos.

Musk também disse que o fundo soberano da Arábia Saudita, que se tornou acionista da Tesla no início deste ano, com participação de apenas 5%, poderia ajudá-lo a financiar a parte em dinheiro do negócio.

Reuters
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