Com alta do dólar, preço do diesel sobe até 14,4% nesta sexta (31)

Alta quase anula subsídio concedido pelo governo na paralisação dos caminhoneiros

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

O preço de venda do óleo diesel subirá entre 10,5% e 14,4%, dependendo da região, a partir desta desta sexta (31), quando se inicia nova etapa do programa de subvenção criado pelo governo para pôr fim à greve dos caminhoneiros.

A alta é resultado da desvalorização do real frente ao dólar, que também vem pressionando o preço da gasolina. Os novos valores foram divulgados nesta quinta (30) pela ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás e Biocombustíveis) e valerão por 30 dias.

Maior alta do diesel ocorrerá na região Centro-Oeste, que passa a ter preço diferente do Sudeste: R$ 2,4094 por litro, aumento de 14,4%. A menor, no sudeste, de 10,5%, para 2,3277 por litro - Zanone Fraissat - 2.fev.2015/Folhapress

Os preços são diferentes por região. A maior alta ocorrerá na região Centro-Oeste, que passa a ter preço diferente do Sudeste: R$ 2,4094 por litro, aumento de 14,4%. A menor, no sudeste, de 10,5%, para 2,3277 por litro.

No Nordeste, o aumento será de 12,5%, para R$ 2,2592; no Sul, de 13,1%, para R$ 2,3143; e no Norte, de 13,2%, para R$ 2,2281. "Os novos valores refletem os aumentos dos preços internacionais do diesel e do câmbio no último mês", disse a ANP, em nota. 

Com os aumentos, os preços de venda do combustível por refinarias se aproximam do valor cobrado pela Petrobras antes da greve. No dia 23 de maio, quando atingiu o maior preço do período de reajustes diários, o diesel era vendido pela estatal, em média no país, por R$ 2,3716 por litro.

Além do repasse da alta do dólar, o novo valor considera ressarcimento às empresas pelo período em que o desconto não foi suficiente para cobrir a diferença entre o preço tabelado pelo governo e as cotações internacionais.

Desde sexta (23), o desconto é insuficiente. Nesta quinta, por exemplo, a diferença era de R$ 0,5179 por litro. 

Apesar do reajuste, as empresas importadores de combustíveis dizem que a nova fórmula da ANP para o cálculo dos preços até o fim do programa, em 31 de dezembro, inviabiliza importações. 

"O frete interno e o custo de armazenagem [previstos na fórmula] são muito baixos", diz o presidente da Abicom (Associação Brasileira dos Importadores de Combustíveis), Sérgio Araújo. Ele acrescenta que a fórmula não prevê margem de lucro.

A fórmula atual foi apresentada esta semana, após alterações a partir de sugestões do mercado - a Petrobras chegou a dizer que a proposta anterior poderia levar ao desabastecimento por inviabilizar importações.

Procurada nesta quinta, a companhia não respondeu se a nova fórmula de cálculo apresentada pela agência é viável.

GASOLINA

Nesta quinta, a Petrobras anunciou o sétimo aumento seguido da gasolina, de 1,4%. A partir desta sexta, o combustível será vendido nas refinarias a R$ 2,1375 por litro, o maior valor desde o início da política de reajustes diários, em julho de 2017.

Com a escalado do dólar, a gasolina acumula alta de 8,6% em agosto. Segundo a pesquisa de preços da ANP, porém, ainda não houve repasse às bombas - segundo especialistas, os aumentos estão sendo compensados pela queda do preço do etanol. 

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