Após negócio Boeing Embraer, aviões ficarão mais baratos, diz presidente da Azul

Das 123 aeronaves que formam a frota da Azul, 63 são da fabricante brasileira

Joana Cunha
São Paulo

A Azul —um dos mais importantes clientes da Embraer no mundo— estima que após o acordo entre a fabricante de aviões brasileira e a Boeing, o preço das aeronaves vai baixar nos próximos anos. 

O governo do presidente Jair Bolsonaro anunciou nesta quinta-feira (10) que deu aval à fusão entre as duas empresas. 

Para John Rodgerson, presidente da Azul, a Embraer ganha, ao lado da Boeing, mais poder de barganha para negociar com fornecedores de peças para suas aeronaves e poderá, portanto, reduzir seu custo de fabricação, repassando a vantagem para as companhias aéreas.

"Se você tem cem aeronaves por ano ou 50 por mês para negociar com o fornecedor de peças, é muito diferente. Quando se unem Boeing e Embraer, dá um volume muito maior. Por isso estamos animados, isso vai ajudar a reduzir custos. As aeronaves devem ficar mais baratas", diz Rodgerson.

O mesmo raciocínio se aplica para a tendência de redução nos custos de manutenção.  

Dos 123 aviões que formam a frota da Azul, 63 são Embraer. A empresa também tem dois cargueiros Boeing.

retrato de John rodgerson. o executivo posa para foto atrás de um vidro em que estão refletidas as imagens de duas miniaturas de aviões
John Rodgerson, presidente da Azul - Zanone Fraissat/Folhapress

 Em julho do ano passado, quando as negociações para a fusão avançavam, a Azul anunciou uma carta de intenção de compra de 21 aeronaves Embraer 195-E2, elevando a quantidade de pedidos firmes para 51.

A previsão é que as entregas aconteçam a partir deste ano. A nova aeronave terá 136 assentos, 15% a mais que a geração atual. Segundo a companhia aérea, o novo modelo, que tem menor consumo de combustível, pode levar a uma redução de pelo menos 26% no custo por assento, se comparado com a geração atual de aviões E1.

O presidente da Azul lembrou que o movimento para a fusão entre Boeing e Embraer, negociado há mais de um ano, foi uma reação da fabricante americana à compra pela Airbus da divisão de aviões comerciais da canadense Bombardier.

Após o passo da Airbus, em outubro de 2017, rumo ao segmento de aviões de médio porte da Bombardier —carro-chefe da Embraer—, especialistas passaram a ver o risco de a brasileira ser sufocada pela concorrência com a nova gigante competindo em seu terreno.

"Quando a Bombardier era sozinha, a Embraer podia competir. E a Bombardier teve que se entregar para a Airbus porque a Embraer estava ganhando todas as campanhas. A Embraer deve se orgulhar porque ela não se entregou como a Bombardier. Ela vendeu sua fatia por bilhões de dólares", diz o presidente da Azul. 

Os americanos aceitaram pagar US$ 4,2 bilhões pela compra da área de aviação civil da Embraer.

No início da noite de quinta, o Planalto soltou comunicado afirmando que "o presidente foi informado de que foram avaliados minuciosamente os diversos cenários" da transação. 

O governo brasileiro poderia rejeitar a fusão das empresas usando sua golden share, que lhe dá a chance de vetar o negócio. A Embraer foi privatizada em 1994, mas não exerceu o veto.

Após o aval de Bolsonaro, o conselho de administração da Embraer ratificou nesta sexta-feira (11) a aprovação prévia dos termos da trasação com a Boeing. 

 A parceria ainda será submetida à aprovação dos acionistas e autoridades reguladoras.

"Caso as aprovações ocorram no tempo previsto, a expectativa é que a negociação seja concluída até o final de 2019", disse a Embraer em comunicado.

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