Descrição de chapéu

Autor prevê raiva da classe média substituída por robôs

Globalização e avanço tecnológico destruirão empregos em países ricos

James Crabtree
Londres | Financial Times

The Globotics Upheaval

  • Preço R$ 32,70, 304 págs.
  • Autor Richard Baldwin
  • Editora Weidenfeld & Nicolson

Os cismas políticos trazidos pela globalização já são bem compreendidos.

Nos Estados Unidos, os partidários mais firmes do presidente Donald Trump vivem nos estados do "rust belt", o decadente coração industrial do país. Os partidários do brexit no Reino Unido em geral vivem em regiões estagnadas, e o mesmo vale para os ativistas dos protestos dos "coletes amarelos", na França.

Nos países ricos, a divisão que importa, hoje, é entre os moradores de grandes cidades, com alta escolaridade e bom nível econômico, e as pessoas que eles eclipsaram durante as décadas de integração econômica internacional.

Mas e se os beneficiários iniciais da globalização se tornarem os próximos perdedores?

Esse é o argumento de Richard Baldwin em "The Globotics Upheaval" [a sublevação da "globótica"], que oferece um alerta oportuno à elite empresarial do planeta, que se reuniu nesta semana em sua peregrinação anual a Davos.

Muitas mudanças comerciais e tecnológicas recentes tiveram efeitos negativos sobre as vagas industriais, mas deixaram intocados os trabalhadores de colarinho branco.

Baldwin acredita que isso esteja para mudar, em razão do que ele chama de "globótica", o que significa globalização combinada a novas formas de robótica, de inteligência artificial a tecnologias que facilitam a terceirização de empregos em serviços.

Em lugar dos operários, quem sairá perdendo desta vez serão os contadores, médicos e advogados. E isso causará fúria na classe média. "A concorrência de robôs de software será vista como monstruosamente injusta", escreve.

Previsões sombrias sobre robôs destruidores de empregos nada têm de novo, mas as de Baldwin merecem atenção. Economista especializado em comércio internacional no Graduate Institute, de Genebra, seu alarme toma por base uma combinação de mudanças tecnológicas.

O aprendizado por máquina em breve automatizará tarefas tradicionalmente executadas por profissionais habilitados, da avaliação de pedidos de cobertura de seguros a diagnósticos médicos.

O software de tradução, que melhora com base em avanços do Google, pode remover inteiramente as barreiras de linguagem, derrubando o último obstáculo para a contratação de estrangeiros.

Sistemas de telepresença usando grandes telas de vídeo tornarão mais fácil administrar equipes dispersas pelo mundo, e o mesmo vale para softwares como o da Slack, um app de mensagens para empresas.

Centenas de milhões de pessoas, em cidades como Hydebarad e Shenzhen, logo assumirão tarefas que antes eram realizadas exclusivamente nas economias prósperas.

Nos países industrializados, as perspectivas parecem sombrias. Baldwin acredita que o número de postos de trabalho em profissões até agora protegidas, das finanças e mídia à pesquisa científica, cairá acentuadamente.

Robô-garçom serve clientes em Budapeste, Hungria; para autor, 'globótica' afetará profissionais liberais - Bernadett Szabó - 24.jan.19/Reuters

A desigualdade pode crescer, com o surgimento de novas divisões entre a elite altamente capacitada e os demais. A classe média um dia próspera, que tendia a apoiar a abertura econômica, vai se enraivecer.

Como economista ortodoxo, Baldwin continua a favorecer a globalização e seus efeitos econômicos mais amplos. As ondas anteriores de desordenamento terminaram por criar mais empregos, e empregos melhores, do que aqueles que destruíram.

Ele considera sua revolução da "globótica" como inevitável e benéfica, pelo menos em longo prazo. "Meu palpite é que ela criará uma sociedade melhor", ele conclui.

O problema é o curto prazo. Baldwin aconselha os trabalhadores a "procurar trabalhos que os 'globôs' não são capazes de fazer", especialmente os que envolvam lidar com outros seres humanos.

Ele admira o sistema de "segurança flexível" da Dinamarca, que combina flexibilidade nos mercados de trabalho com apoio previdenciário generoso e retreinamento, a fim de ajudar os trabalhadores a lidar com as vicissitudes das mudanças econômicas.

Mesmo assim, persiste um risco grave de repetir os erros cometidos nas décadas de 1990 e 2000, quando entusiastas da globalização frequentadores do Fórum de Davos fizeram promessas vazias de que os espólios do crescimento seriam redistribuídos de forma a ressarcir os que saíssem perdendo com o comércio internacional e a integração. 

Tradução de Paulo Migliacci
 

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