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Cifras & Letras

Livro de ex-governador do ES reúne boas práticas de gestão pública

Objetividade prevalece na descrição de medidas adotadas entre 2015 e 2018

Naief Haddad
São Paulo

Espírito Santo

  • Preço R$ 19,20 (versão digital), 108 págs.
  • Autor Paulo Hartung, Ana Paula Vescovi e outros
  • Editora autopublicação

O livro é curto, mas o título não: "Espírito Santo "“ Como o Governo Capixaba Enfrentou a Crise, Reconquistou o Equilíbrio Fiscal e Inovou em Políticas Sociais".

O economista Paulo Hartung (ex-MDB) havia governado o estado por dois mandatos consecutivos, entre 2003 e 2010, e voltou a comandá-lo de 2015 a 2018. O novo livro trata desse último período.

É um lançamento importante por duas razões principais. Primeiro pela iniciativa propriamente. No último mês de sua administração, Hartung reúne em um livro dados da situação na qual recebeu o estado, apresenta as áreas que priorizou e expõe as suas principais realizações.

Embora existam trechos dispensáveis de autocelebração, prevalece a descrição objetiva. Assim, cumpre um papel de prestação de contas à população capixaba, um ato de transparência que merece ser replicado país afora.

Praça do Papa, no bairro Enseada do Suá, em Vitória, capital do Espírito Santo - Gabriel Lordêllo - 1.set.2009/Folhapress

Além disso, trata-se de obra relevante por reunir boas práticas de gestão, sem a preocupação de pendurar nelas etiquetas de direita ou esquerda. 

Hartung assumiu o estado em 2015 com um déficit de R$ 1,45 bilhão. Na gestão anterior, conforme ele indica, a folha de pagamentos do governo havia saltado de R$ 260 milhões mensais em 2010 para R$ 430 milhões em 2014.

Não bastasse a herança negativa, enfrentou uma série de problemas nos dois primeiros anos: uma das piores recessões da história do país; uma crise hídrica causada por uma estiagem severa; as consequências do rompimento da barragem da Samarco, em Minas Gerais, estado vizinho do Espírito Santo. 

Hartung relata a busca pelo reequilíbrio das contas públicas por meio de demissões de funcionários em cargos comissionados e da reavaliação de contrato de dezenas de obras paralisadas, entre outras ações duras.

Para atingir o objetivo, abriu diálogo com Poder Legislativo, Ministério Público, Tribunal de Contas e outras instituições. Sem esse apoio amplo, provavelmente o ajuste não teria saído do papel. 

O ex-governador também comenta os resultados da educação do Espírito Santo, que se inspirou em modelos bem-sucedidos no país, como o da cidade de Sobral (CE).

Em 2017, as escolas capixabas estaduais no ensino médio tiveram as maiores notas do país em português e matemática no Saeb (Sistema de Avaliação da Educação Básica). No Ideb (Índice de Desenvolvimento da Educação Básica), que também considera a taxa de aprovação, a rede do Espírito Santo foi a segunda melhor do Brasil, com 4,1 pontos, só atrás de Goiás.

Ao longo do livro, Hartung reforça a necessidade de firmar parcerias para governar, um receituário quase óbvio, mas ainda pouco praticado. Entre dezenas de exemplos, há o apoio do Instituto Unibanco para os avanços da educação e do Sistema S para o projeto Ocupação Social, que auxilia jovens pobres.

"Espírito Santo" é uma leitura útil, mas seria ainda melhor sem trechos que resvalam para a demagogia, como "ousamos lutar, ousamos acreditar". 

Além do texto de Hartung, há artigos de alguns dos seus secretários, como Ana Paula Vescovi (Fazenda) e Haroldo Rocha (Educação).

Na análise assinada por Rocha e Ricardo Manoel dos Santos, do Instituto Unibanco, o sucesso no Ideb é explicado por uma sucessão de medidas, como o compromisso com metas e protocolos de gestão.

Em seu artigo, Ana Paula, que depois se tornou secretária do Tesouro Nacional do governo Michel Temer, critica a gestão estadual anterior.

"Depois de anos de prosperidade associada ao boom das commodities, o descaso com as contas públicas fez sumir o dinheiro que antes brotava", escreve a economista.

Ela se refere ao governo de Renato Casagrande (PSB) entre 2011 e 2014. Foi ele quem antecedeu Hartung. Casagrande acaba de reassumir o poder no Espírito Santo. 
 

MAIS VENDIDOS

Veja livros que se destacaram na semana


TEORIA E ANÁLISE

1º/1º Rápido e Devagar, Daniel Kahneman, Ed. Objetiva,  R$ 62,90
2º/3º Tesouro Direto, A Nova Poupança, Marcos Silvestre, Foro Editorial, R$ 34,90
3º/2º  Arriscando a Própria Pele, Nassim Nicholas Taleb, Ed. Objetiva, R$ 54,90
4º/- Menos Estado e Mais Liberdade, Donald J. Boudreaux, Faro Editorial, R$ 24,90
5º/2º  Valsa Brasileira, Laura carvalho, ed. Todavia, R$ 49,90


Prática e Pessoas


1º/3º  O Poder da Autorresponsabilidade, Paulo Vieira, ed. Gente, R$ 19,90
2º/2º  Seja Foda!, Caio Carneiro, Ed. Buzz, R$ 39,90
3º/1º A Sutil Arte de Ligar o F*da-se, Mark Manson, Ed. Intrínseca, R$ 29,90
4º/4º  O Poder da Ação, Paulo Vieira, ed. Gente, R$ 29,90
5º/-  Me Poupe!, Nathalia Arcuri, Ed. Sextante, R$ 29,90 

Lista feita com amostra informada pelas livrarias Curitiba, da Folha, da Vila, Saraiva e Argumento; os preços são referências do mercado e podem variar 
 

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