Descrição de chapéu Financial Times

Ghosn aluga apartamento e oferece uso de monitoramento eletrônico para deixar prisão

Ex-executivo da Nissan está preso em Tóquio desde 19 de novembro

Tóquio | Financial Times

Carlos Ghosn ofereceu às autoridades japonesas ações que detém da Nissan como garantia, a entrega do passaporte e usar monitoramento eletrônico, além de permanecer em um apartamento no Japão na tentativa de convencer a corte de Tóquio a liberá-lo da prisão em que está há 64 dias.

O ex-presidente da Nissan, que foi preso em 19 de novembro e teve novo pedido de liberdade rejeitado na semana passada, tomou outra medida inusual ao alugar, de dentro da prisão, um flat no qual ele se dispôs a viver enquanto aguarda julgamento.

O processo foi ainda mais difícil, disse uma pessoa de sua família, por causa da dificuldade de encontrar um corretor disposto a alugar um imóvel para um homem enfrentando acusações de má gestão financeira da Nissan e de procuradores.

O apartamento alugado permite que Ghosn apresente um novo pedido de liberdade: na solicitação anterior, ele disse à corte que poderia viver sob a custódia da embaixada francesa em Tóquio –o plano fez com que procuradores alertassem a Justiça japonesa para o risco de que seu mais famoso prisioneiro pudesse ganhar asilo permanente da Justiça.

Em um comunicado divulgado por sua família neste domingo (20), Ghosn foi enfático ao dizer que, em qualquer situação, ele estaria determinado a se apresentar ao tribunal.

“Eu não sou culpado das acusações contra mim e espero depender a minha reputação no tribunal; nada é mais importante para mim e para minha família”, disse.

Ghosn é alvo de três acusações, por abuso de confiança e outras infrações financeiras, como por supostamente transferir temporariamente perdas pessoais com investimentos para a Nissan e por ocultar parte sua renda durante três anos. Ele nega todas as acusações.

Na sexta-feira (18), a Nissan e a Mitsubishi disseram que o executivo teria recebido indevidamente US$ 9 milhões (R$ 33,8 milhões) de compensação da joint venture entre as montadoras, levantando a possibilidade de que seu presidente deposto enfrente uma nova acusação de peculato.

A prisão de Ghosn, que liderou a recuperação da Nissan há duas décadas, e a lista de acusações contra ele abalaram a indústria automobilística, enquanto turvam as perspectivas da aliança tripartida da Nissan com a Mitsubishi e a francesa Renault.

Nos últimos dias, a Renault sofreu muita pressão de seu maior acionista, o governo francês, para substituir Ghosn como presidente-executivo e presidente do conselho. 

A montadora francesa, no entanto, confirmou na quinta-feira (17) que estava considerando uma nova liderança, depois que o ministro das Finanças, Bruno Le Maire, convocou publicamente uma reunião do conselho para tratar da sucessão.

O pagamento de Ghosn tem sido assunto muito debatido nas assembleias de acionistas da Renault, onde ele perdeu uma votação sobre o assunto há alguns anos.

Com agências de notícias

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