Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Guedes diz que novos dirigentes de bancos estatais reduzirão distorções no mercado de crédito

Ministro lembra casos de corrupção e afirma que dirigismo econômico transferiu renda de forma perversa

Mariana Carneiro Bernardo Caram Gustavo Uribe Talita Fernandes
Brasília

Em cerimônia de posse dos presidentes dos bancos estatais realizada no Palácio do Planalto, o ministro Paulo Guedes (Economia) afirmou que a máquina de crédito do Estado foi desvirtuada, referindo-se a casos de corrupção revelados nos governos do PT.

"Houve um desvirtuamento das funções públicas, usando a máquina de crédito do Estado", afirmou. 

E repetiu a frase mencionada em sua posse como ministro: "A máquina de crédito do Estado sofreu um desvirtuamento, perdemos os bancos públicos através de associações perversas entre piratas privados, burocratas corruptos e criaturas do pântano político".

Nesta segunda-feira (7), Guedes deu posse aos novos dirigentes dos bancos públicos: Rubem Novaes (Banco do Brasil), Joaquim Levy (BNDES - Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e Pedro Guimarães (Caixa Econômica Federal). O evento contou com a participação do presidente Jair Bolsonaro (PSL).


Ao mencionar as mudanças que serão feitas na gestão dos bancos, Guedes afirmou que as "caixas-pretas" da Caixa serão examinadas.

"A Caixa também foi vítima de saques, fraudes e assaltos aos recursos públicos, como vai ficar óbvio logo à frente, à medida em que essas caixas-pretas forem examinadas", disse.

Guedes afirmou que a missão dos novos dirigentes dos bancos estatais é reduzir a distorção no mercado de crédito, que faz com que uns paguem "juros na lua" para que escolhidos tenham acesso a taxas "baratinhas". 

"Para fazer essa generosidade às vezes socialmente correta, às vezes socialmente perversa e muitas vezes corrupta, financiamos o endividamento em bola de neve", disse. "Então o juro vai pra lua para todo brasileiro para que outros tenham o juro baratinho. Esse tipo de distorção essa equipe vai tentar eliminar".  

Segundo ele, isso ocorre em razão do que classificou de "dirigismo econômico".

"O dirigismo econômico corrompeu a politica brasileira e travou a economia", afirmou. "O mercado brasileiro de crédito também sofreu intervenções danosas. O BNDES recebe aumento de capital para fazer projetos econômicos estranhos do ponto de vista de retorno, estranhos do ponto de vista político, estranhos do ponto de vista de quem é beneficiado".

"Nós, economistas liberais, não gostamos disso, distorce a economia, derruba a taxa de crescimento, transfere renda de maneira perversa".

Na plateia, estavam presentes lideranças do setor financeiro, como o presidente do Bradesco, Octavio Lazari Júnior, e do conselho de administração, Luiz Carlos Trabuco, o presidente da XP Investimentos, Guilherme Benchimol, e o presidente do Credit Suisse no Brasil, José Olympio Pereira.

Em seu discurso, Bolsonaro afirmou ter dado liberdade a Guedes para a escolha dos presidentes dos bancos. Ele disse que a medida de ter feito indicações sem interferência política foi muito importante e inédita no Brasil.

"Os hoje aqui titulares escolheram todos os seus diretores. Há pouco, com a experiencia de 28 anos de experiencia parlamentar, era uma briga por qual partido politico ia ficar com essa ou aquela diretoria de banco".

Segundo Bolsonaro, esse modelo foi responsável pelo fracasso da economia nos últimos anos. 

Ao se referir aos dirigentes dos bancos públicos, o presidente defendeu "transparência acima de tudo".

"Transparência acima de tudo, todos os nossos atos terão de ser abertos ao público e o que ocorreu no passado também. Não podemos admitir qualquer cláusula de confidencialidade pretérita."

Ele afirmou que não vai perseguir os indicados por gestões anteriores, mas que não deixará de tornar públicos os dados.

"Aqueles que foram a essas instituições por serem amigos do rei buscar privilégios, ninguém vai persegui-los. Mas esses atos, contratos, tornar-se-ão públicos".

Ele disse confiar na equipe composta por Guedes e repetiu que não pode errar.

"Nós não podemos errar. Se nós errarmos os senhores bem sabem quem poderá voltar. E as pessoas de bem, que foram a maioria, acreditaram naquilo que pregamos nos últimos anos e não poderão se decepcionar conosco."

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