Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Governadores querem segurar votações para evitar contaminação por crise de Bolsonaro

Chefes do Executivo dos estados avaliaram que governo passa por envelhecimento acelerado

Daniel Carvalho
Brasília

Diante da crise enfrentada pelo governo do presidente Jair Bolsonaro, governadores querem evitar que os presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), pautem projetos de interesse dos estados que tenham digital do Palácio do Planalto.

Governadores de 13 estados (BA, RJ, PA, PE, RS, ES, PI, RN, SC, SE, AM, MS e AP) e do DF reuniram-se na noite de terça-feira (19) em um jantar oferecido por Davi na residência oficial da presidência do Senado.

Participantes do encontro disseram à Folha que, durante o jantar, houve uma sinalização dos dois presidentes de que há sintonia entre eles a pauta dos estados, como os projetos que tratam da securitização da dívida, cessão onerosa, reforma da Previdência que envolva as Unidades da Federação e a regulamentação da Lei Kandir, que trata de repasses da União como forma de compensar a desoneração das exportações.

Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP)
Presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP) - Pedro Ladeira/Folhapress

Em conversas paralelas durante a noite, governadores disseram estar constatando que o governo federal passa por um processo de "degradação acelerada", principalmente na relação com o Congresso Nacional.

Nesta segunda-feira (18), o então ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República, Gustavo Bebianno, caiu após uma crise instalada no Palácio do Planalto com a revelação pela Folha da existência de um esquema de candidaturas laranjas do PSL para desviar verba pública eleitoral.

O partido foi presidido por ele durante as eleições de 2018, em campanha de Bolsonaro marcada por um discurso de ética e de combate à corrupção.

Na terça-feira, a crise aumentou com a divulgação de áudios que confrontam a versão do presidente de que ele não havia falado com Bebianno em 12 de fevereiro, quando estava internado em São Paulo.

Em entrevista à rádio Jovem Pan, Bebianno aumentou o desgaste com Bolsonaro ao afirmar que o vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), um dos filhos do presidente, foi o responsável pela sua demissão do governo e que ele fez "macumba psicológica" na cabeça do pai.

Neste mesmo dia, a Câmara infligiu a primeira derrota ao governo, derrubando o decreto que alterou as regras da Lei de Acesso à Informação.

Deputados reclamam da falta de interlocução com o governo. Criticam a atuação do líder do governo na Câmara, o deputado Major Vitor Hugo (PSL-GO), e chegaram a ameaçar uma rebelião porque o Executivo iria apresentar o texto da reforma da Previdência primeiro aos governadores e, somente depois, aos líderes partidários.

De última hora, o Palácio do Planalto resolveu incluir congressistas na apresentação da manhã desta quarta-feira (20).

É justamente por causa deste clima hostil que governadores não querem que nenhum projeto defendido pelo Palácio do Planalto e que possa ser de interesse dos estados seja colocado em pauta no Congresso.

O entendimento dos governadores é que, antes do Carnaval, qualquer matéria que tenha as digitais do governo federal será derrotada.

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