Com prejuízo no quarto trimestre, Caixa tem lucro de R$ 10 bi em 2018

Apesar dos resultados positivos, carteira de crédito teve recuo de 1,7%

Tássia Kastner
São Paulo

A Caixa registrou prejuízo contábil no último trimestre de 2018, reflexo de uma decisão do banco de reprecificar no período ativos financeiros (debêntures) e não financeiros (relacionados a imóveis que não são utilizados pelo banco).

O prejuízo do quarto trimestre foi de R$ 1,1 bilhão, ante lucro de R$ 6,2 bilhões no mesmo período de 2017.

No ano, o banco encerrou com lucro de R$ 10,4 bilhões, queda de 17% na comparação com o ano anterior.

Descontados os efeitos extraordinários da reprecificação (impairments), a Caixa teve lucro líquido recorrente de R$ 12,7 bilhões, alta de 40% na comparação com 2017.

"O que a gente espera é que agora o resultado contábil se aproxime do recorrente", afirmou o presidente da Caixa, Pedro Guimarães.

O banco atribuiu o resultado recorrente ao aumento nas receitas em concessões de crédito e também com tarifas. A carteira de crédito recuou.

Houve uma redução nas despesas para cobrir eventuais calotes e aumento 15,5% na margem financeira (spread) em 2018, para R$ 36 bilhões.

Crédito

A carteira de crédito recuou 1,7%, a R$ 694,5 bilhões, na contramão do setor, que expandiu a oferta de empréstimos em 2018.

Segundo o presidente da Caixa, Pedro Guimarães, a carteira pode continuar caindo porque o banco vai mudar o perfil das concessões, especialmente para pessoa jurídica.

"Vamos focar na padaria do seu Joaquim, porque a padaria tem spread muito maior que empresas gigantescas. E vamos focar nas pessoas com renda menor. A Caixa, como banco social, é focada em clientes de menor renda", diz.

Ele diz que o banco vai focar em consignado e lançar o cartão de crédito consignado no mês que vem. Haverá também expansão do crédito imobiliário e o banco continuará atuando no programa habitacional Minha Casa, Minha Vida, afirmou Guimarães.

Segundo ele, haverá crescimento no crédito imobiliário, após retração nos últimos dois anos.

"No SBPE [financiamento imobiliário com recursos da poupança], a gente quer crescer mais. Havia uma discussão de capital [do banco para emprestar], que hoje não há", afirmou.

O executivo disse ainda que o banco espera ampliar as receitas com serviços.

Presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, durante cerimônia no Palácio do Planalta, em janeiro de 2019. - REUTERS

Apenas em 2018, a receita com administração de fundos saltou 18%, para R$ 2,2 bilhões.

Guimarães reforçou ainda o plano de privatizações de segmentos da Caixa, como a Caixa Cartões."A Caixa tem 90 milhões de cartões de débito e só 5 milhões de cartão de crédito", disse em referência ao objetivo de ampliação da atuação no mercado.

Ele também disse considerar inadmissível que a Caixa não atue no mercado de maquininhas e, de fora do mercado, estimou que perde R$ 1 bilhão por ano."

Se tivesse capital aberto, provavelmente teria [adquirência]", afirmou.

Segundo os executivos do banco, a Caixa pretende atuar no mercado de capitais e trabalha atualmente com 40 operações, que podem gerar R$ 100 bilhões, mas que ainda é incipiente.

O presidente da Caixa previu para o segundo semestre deste ano a abertura de capital da operação de seguros e de cartões. Já os IPOs da rede de lotéricas e da área de gestão de recursos (asset) ficaria para o primeiro semestre do próximo ano.

O banco espera ainda que dupla listagem, que a abertura de capital na Bolsa brasileira e também nos Estados Unidos.

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