Dólar fecha a R$ 3,90 no maior patamar desde o final de março

Bolsa avança com recuperação da Petrobras e retoma os 94 mil pontos

São Paulo

Bolsa e dólar fecharam em alta nesta terça-feira (16) marcada pelo noticiário local cheio. No radar dos investidores estiveram notícias sobre a tramitação da Previdência na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e também o desenrolar da crise da Petrobras.

O Ibovespa, principal índice acionário do país, subiu 1,34% e fechou a 94.333 pontos. O giro financeiro foi de R$ 14 bilhões, abaixo da média diária do ano.

A alta foi sustentada pela recuperação da Petrobras, após manifestações sinalizando que foi uma decisão isolada do presidente Jair Bolsonaro (PSL) de intervir na estatal. O ministro de Minas e Energia afirmou que não foi consultado e acrescentou que a política de preços da companhia não será alterada.

Ocorreria nesta tarde uma reunião do presidente com ministros ligados à área e técnicos da Petrobras para explicar como é feito o cálculo do preço do combustível, que leva em conta o câmbio e o preço do petróleo no exterior. Os papéis da Petrobras subiram cerca de 3%.

Ainda no campo de notícias ligadas à Petrobras, o governo anunciou um pacote de medidas para contentar caminhoneiros e tentar evitar uma nova paralisação, como a de 2018. Para o mercado, um protesto daquela magnitude deixaria o governo natimorto e acabaria com a reforma da Previdência.

A Vale, também com forte peso no índice, se valorizou mais de 3%. Nesta terça, a agência de classificação de risco Fitch descartou rebaixar a nota da empresa após a tragédia de Brumadinho, ocorrida em janeiro. Segundo a agência, apesar da queda de produção, o caixa está preservado.

No cenário macroeconômico, a atenção está na reforma da Previdência. O presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), disse que desejava a aprovação da CCJ antes do feriadão de Páscoa, apesar dos tropeços causados por partidos do centrão. A indicação de Maia, que tem conduzido a reforma, é positiva.

Apesar do viés de alta da Bolsa, o dólar também avançou. Foi afetado pelo cenário externo, negativo para as principais divisas emergentes. A moeda fechou o dia cotada a R$ 3,9040 (+0,93%). É o maior patamar desde 29 de março, data marcada pela crise entre o governo Bolsonaro e a Câmara. 

O real teve no dia o segundo pior desempenho numa lista de 33 moedas frente ao dólar, à frente apenas do peso argentino. O dia foi de queda generalizada para moedas emergentes, diante da percepção de que a economia norte-americana segue melhor, com balanços positivos das principais empresas americanas.

Como resultado, há a migração de investimentos para os EUA em detrimento de países como o Brasil. Em abril, a Bolsa brasileira perdeu R$ 2,8 bilhões em aportes estrangeiros. No saldo anual, a perda é menor, com a saída de R$ 1,5 bilhões. O movimento é impulsionado pela incerteza quanto a reforma da Previdência.

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