Oferta de destinos aéreos a partir de SP cresce e volta ao pico de 2011

Regiões metropolitanas tiveram alta de destinos domésticos e internacionais em 2018

Daniel Mariani Marina Gama Cubas
São Paulo

O número de destinos aéreos nacionais e internacionais oferecidos a partir das principais regiões metropolitanas do país aumentou em 2018 em quase todo o país, apontam dados oficiais tabulados pela Folha.

Considerando apenas os destinos nacionais saindo de Congonhas e Guarulhos, o número de 2018 igualou o ápice da série histórica, que havia sido em 2011.

Em ambos os anos, foram 46 destinos que saíram ao menos 26 semanas consecutivas —padrão adotado pela reportagem para definir um trecho como frequente. As informações primárias são da Anac (Agência Nacional de Aviação Civil).

Imperatriz (MA) é um dos novos destinos de 2018 para quem sai de São Paulo. Jijoca (CE) passou a ter voos frequentes —em 2017 foi oferecido apenas no período de temporada.

No geral, a malha aeroviária no país atingiu o ápice em 2011, começou então a cair acompanhando o desaquecimento da economia e chegou ao patamar mais baixo em 2013. Voltou a crescer, mas houve uma queda entre 2016 e 2017.

Considerando o ano passado, houve aumento de rotas nacionais saindo também de Belo Horizonte, Recife e Salvador. Rio e Brasília ficaram estáveis. Campinas caiu. Essas são as regiões que mais têm voos frequentes.

O aeroporto de Guararapes, no Recife, é um exemplo de crescimento constante. Em 2012, ele oferecia 14 opções de rotas domésticas e passou para 25 em 2018.

Nos trajetos internacionais, houve aumento de rotas saindo de todas essas áreas, com exceção de Brasília.

Se somados todos os destinos de todos os aeroportos do Brasil, houve aumento de 5% no número de rotas em 2018 em relação a 2017, ante uma leve queda de 1% no período 2016-2017.

Em termos de destinos, a capital mineira foi a que teve o maior crescimento em 2018, com ampliação de 20% das opções de destinos desde 2017 —saltando de 35 para 42 em 2018.

Esse movimento de crescimento de rotas também apareceu em simulações considerando período inferior às 26 semanas adotadas pela reportagem.

O crescimento no número de destinos em 2018 no país coincide com levantamentos do setor aéreo que apontam também aumento no volume de passageiros, movimento que segue nos primeiros meses de 2019.

“A escolha das rotas é resultado [de estudo] econômico. As empresas têm seus departamentos de planejamento que estudam dados demográficos e entradas de fatos novos, como o início de uma usina ou empresa em determinada região”, afirma Gianfranco Beting, especialista em aviação, que foi executivo da Azul.

Ainda que a demanda seja o gatilho, outras variáveis são fundamentais para a decisão de ampliar ou fechar destinos e quais serão as cidades escolhidas.

A existência de uma infraestrutura mínima dos aeroportos nas cidades em que se constata uma alta procura é uma delas.

Benefício fiscal é outro ponto levado em conta. Em março, por exemplo, a Gol apresentou novas opções de destinos saindo do aeroporto de Guarulhos para cidades do interior de São Paulo.

A medida responde a um pedido do governo estadual, que anunciou desoneração fiscal do combustível da aviação. Houve redução da alíquota do ICMS do querosene usado no abastecimento de aeronaves, de 25% para 12%.

A expectativa tanto da Abear (Associação Brasileira das Empresas Aéreas) quanto de especialistas no setor é que o crescimento do mercado se mantenha em 2019.

Entre os fatores que podem contribuir para isso estão justamente benefícios fiscais, as concessões para a iniciativa privada de 12 aeroportos e a liberação de 100% de capital estrangeiro em companhia aéreas —a proposta passou na Câmara e foi para o Senado.

“Teremos a possibilidade da entrada de novos participantes que podem levar ao aumento de passageiros transportados. Mais aeroportos são objetos de concessão, e a tendência é que haja aumento do mercado como um todo”, afirma Fábio Falkenburguer, especialista de aviação do Machado Mayer Advogados.

Beting, porém, está um pouco mais cético em relação ao crescimento do mercado aéreo. “O Brasil parou de piorar, mas não engatou a marcha de aceleração. É uma recuperação muito tímida e aquém do que o Brasil poderia alcançar.”

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