Petrobras aumenta preço do diesel em 5,7%

Medida foi criticada pelos caminhoneiros, que reivindicam fiscalização sobre fretes

Nicola Pamplona
Rio de Janeiro

A Petrobras anunciou nesta quinta (11) aumento médio de 5,7% no preço do diesel, que vigora a partir desta sexta (12). É o primeiro reajuste após 20 dias sem alterações, apesar de alta nas cotações internacionais do produto durante o período.

No fim de março, sob ameaça de nova greve dos caminhoneiros, o governo pediu à estatal mudanças em sua política de preços para o diesel, que passou a respeitar prazos mínimos de 15 dias sem reajustes.

A medida foi criticada pelos próprios caminhoneiros, que a consideraram insuficiente para resolver os problemas da categoria. Eles pedem maior fiscalização sobre o cumprimento da tabela dos fretes mínimos. 

A alteração na política de preços foi vista com desconfiança pelo mercado ao indicar ingerência política na estatal. Embora a Petrobras negue interferência, o presidente Jair Bolsonaro chegou a parabenizar em live no Facebook o ministro de Minas e Energia, Bento Albuquerque, pela mudança.

Nesta sexta, o litro do óleo diesel sairá das refinarias da empresa, em média, a R$ 2,2662, contra os R$ 2,1432 vigentes desde 22 de março. Os preços variam de acordo com o ponto de entrega.

Mão segurando mangueira que abastece carro
Medida foi criticada pelos próprios caminhoneiros, que têm como principal reivindicação maior fiscalização sobre a tabela dos fretes - Federico Parra/AFP

Segundo especialistas, porém, o reajuste não foi suficiente para eliminar toda a defasagem com relação às cotações internacionais acumulada nas últimas semanas.

Cálculos da Abicom, associação que reúne os importadores, apontam que o diesel vendido pela Petrobras permanecerá cerca de R$ 0,04 por litro mais barato do que a paridade de importação (conceito que calcula o custo para trazer o produto do exterior) nos portos de Itaqui (MA) e Aratu (BA).

No porto de Santos, a diferença é de R$ R$ 0,03 por litro, e em Suape (PE) e Araucária (PR), de apenas R$ 0,01. Antes do reajuste, a defasagem oscilava entre R$ 0,69 (em Aratu) a R$ 1,28 (em Suape).

Ao anunciar o prazo mínimo de 15 dias para alterações no preço do diesel, a Petrobras disse que lançaria mão de instrumentos financeiros de proteção para evitar perdas com as oscilações das cotações internacionais e do câmbio.

Entre do dia 22 de março, quando foi feito o último reajuste e esta quarta (10), a cotação do petróleo —Brent usado como referência internacional— subiu 7,18%, para US$ 71,71 (R$ 274, pela cotação do dia).

A taxa de câmbio, porém, foi favorável à Petrobras: no mesmo período, a cotação do real frente ao dólar caiu de R$ 3,90 para R$ 3,82.

Agora, o próximo reajuste do diesel só ocorrerá em duas semanas, período que se inicia com forte pressão sobre as cotações internacionais do petróleo, diante das dificuldades de produção na Venezuela.

Nesta quinta, com movimentos de realização de lucros do dia anterior, o barril do Brent, que é negociado em Londres, fechou em queda de 1,12%, a US$ 70,90 (R$ 273, pela cotação atual)

A alteração na política foi anunciada no dia 26 de março, em meio a crescente insatisfação dos caminhoneiros que em maio de 2017 paralisaram o país por duas semanas. Além do represamento no preço do diesel, o governo acenou com a criação de um cartão para a compra de diesel a preço fixo.

Chamado pela Petrobras de Cartão Caminhoneiro, o produto ainda não foi lançado oficialmente. A ideia é que o motorista compre determinado volume em litros e possa abastecer em outros dias pelo preço pago no dia da compra, evitando as oscilações internacionais.

A Petrobrás não mexeu no preço da gasolina, que permanecerá sendo vendido em suas refinarias a R$ 1,9354 por litro, valor cobrado desde o último dia 5.

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