Agricultores dos EUA terão US$14,5 bi em compensação por guerra comercial

Governo Trump busca ampliar mercado para produtos agrícolas em países como Índia, Malásia, Tailândia e Filipinas

Washington | Reuters

O governo dos Estados Unidos pagará US$ 14,5 bilhões (R$ 58,5 bilhões) aos agricultores do país como parte de um novo pacote de US$ 16 bilhões (R$ 64,5 bilhões) em auxílio.

O programa, elaborado para compensar os danos financeiros causados por disputas comerciais com a China e outras nações, também prevê esforços para a abertura de novos mercados para os produtos agrícolas americanos.

Os produtores receberão o primeiro pagamento direto em julho ou agosto, com as liberações de recursos subsequentes previstas para o final do outono no Hemisfério Norte e para o início de 2020, dependendo do progresso das negociações comerciais, afirmou em teleconferência o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA, na sigla em inglês).

"Será uma taxa única para cada condado. Ela irá variar de condado para condado", disse o economista-chefe do USDA, Robert Johansson, na conferência.

O presidente americano, Donald Trump, solicitou neste mês que o USDA elaborasse um novo pacote de auxílio, uma vez que a disputa comercial entre os EUA e a China se intensificou, com ambos os lados elevando as taxas sobre os produtos um do outro.

Os agricultores dos EUA, importante eleitorado que ajudou a levar Trump à sua surpreendente eleição em 2016, estão entre os mais afetados pela guerra comercial com a China, antes destino de mais de 60% das exportações norte-americanas de soja.

A persistente disputa deixou os agricultores dos EUA com volumes recordes de soja estocados, pois prejudicou as aquisições da oleaginosa pelos chineses. 

Há poucas perspectivas de uma resolução imediata para a questão comercial.

Produtores da região central dos EUA, que estão no processo de plantio de milho e soja, vem enfrentando dificuldades também pelas chuvas intensas.

NOVOS MERCADOS

O programa de assistência aos agricultores americanos também inclui esforços para abrir mercados fora da China, disse o secretário da Agricultura dos EUA nesta quinta-feira.

"Parte desses 16 bilhões de dólares será usada em programas de acesso a mercados para conquistar negócios em outros lugares", disse o secretário da Agricultura dos EUA, Sonny Perdue, em entrevista à Fox Business Network. 

"Se a China decidir sair do jogo, venderemos esses ótimos produtos em outros lugares."

Perdue citou os esforços já em andamento para aumentar o acesso aos produtos agrícolas dos EUA na Índia, Malásia, Tailândia e Filipinas, entre outros países, mas reconheceu que a China era o principal protagonista e expressou a esperança de que as negociações possam voltar aos trilhos.

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