Com compra da Avon, maior parte das vendas da Natura virá do exterior

Faturamento combinado das companhias vai superar US$ 10 bilhões ao ano

Filipe Oliveira
São Paulo

Após a concretização da compra da Avon, o grupo de empresas controladas pela holding Natura &Co terá a maior parte de sua receita vinda de fora do Brasil.

Segundo João Paulo Ferreira, presidente-executivo da Natura, cerca de 70% das vendas da companhia virão do exterior.

Ele falou durante conferência para investidores na manhã desta quinta-feira (23).

Com a Avon, a holding passa a ter receita líquida anual superior a US$ 10 bilhões (R$ 40,6 bilhões), mais de 6 milhões de revendedores, se tornando o quarto maior grupo exclusivamente de beleza no mundo.

A companhia terá atuação em 100 países e será a maior no uso do canal de vendas de porta em porta (vendas diretas), com mais de 6 milhões de revendedores.

 

Roberto Marques, presidente executivo do Conselho da Natura &Co, diz que a união acelera a construção de um grupo de empresas multimarcas, multicanal e global.

Essa é a terceira aquisição de uma marca internacional pela Natura. A companhia comprou a australiana Aesop em 2013 e a britânica The Body Shop em 2017.

Natura e Avon deverão seguir como empresas e marcas independentes.

A combinação das empresas também não implica em mudança nos catálogos das consultoras das marcas. As estruturas comerciais das empresas continuarão separadas, disse Ferreira para grupo de jornalistas.

Por outro lado, ele aponta que, no Brasil, 500 mil consultoras já trabalham com as duas marcas simultaneamente. Diz acreditar que, com o compartilhamento de boas práticas entre Avon e Natura, esse grupo deve aumentar.

Fábrica da Natura em Cajamar
Fábrica da Natura em Cajamar, no interior de São Paulo - Marcelo Justo/Folhapress

A Natura espera que a operação traga uma economia que ficará entre US$ 150 milhões e US$ 250 milhões ao ano, devido às sinergias existentes nas operações das duas empresas.

Marques diz acreditar que os ganhos virão de uma gestão de maior escala e eficiência de suprimentos e de logística, da redução da complexidade na manufatura e da redução de gastos administrativos em áreas como tecnologia da informação.

Ele negou que haverá redução no quadro de funcionários das empresas.
Guilherme Leal, cofundador da Natura, disse que a sustentabilidade será um dos pilares da empresa formada com a aquisição.

"Não pretendemos ser mais uma grande empresa no mundo, mas sim um grupo global de beleza que se esforça para ser um dos melhores para o mundo."

Na operação, que avaliou a Avon em US$ 3,7 bilhões, cada ação da companhia comprada foi trocada por 0,3 ação da Natura. 

Os acionistas da Natura &Co ficarão com 76% da companhia combinada, enquanto os acionistas da Avon terão aproximadamente 24%.

Após a conclusão da aquisição, o Conselho de Administração da empresa combinada será composto por 13 membros, três dos quais serão designados pela Avon.

O negócio depende de aval de órgãos reguladores e da assembleia de acionistas das duas empresas.

A expectativa é que a operação seja concluída no início de 2020.

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