Investimentos caem pelo segundo trimestre consecutivo; indústria também recua

Para economistas, baixo investimento reflete incertezas com relação à retomada do crescimento

Nicola Pamplona Mariana Carneiro
Rio de Janeiro

O investimento na economia brasileira caiu pelo segundo trimestre consecutivo, em um sinal de que os empresários ainda não estão confiantes para tirar o pé do freio e voltar a apostar em crescimento de seus negócios. 

O resultado também está sendo influenciado pela redução no ritmo de investimentos em obras públicas, em meio à crise fiscal de estados e do governo federal.

Os dados do PIB divulgados nesta quinta (30) mostram que os investimentos tiveram queda de 1,7% no primeiro trimestre de 2019 frente ao trimestre anterior. No quarto trimestre de 2018, o indicador havia caído 2,4%.

Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o investimento cresceu 0,9%, informou nesta quinta-feira (30) o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Em quatro trimestres, acumula alta de 3,7%.

O PIB (Produto Interno Bruto) brasileiro recuou 0,2% no primeiro trimestre deste ano.

A construção civil responde por cerca de metade do investimento. Segundo o IBGE, o setor encolheu 2% em relação ao final do ano passado. Na comparação com o primeiro trimestre de 2018, o recuo foi de 2,2%. 

Cláudia Dionísio, gerente de contas trimestrais do IBGE, observa que a parte da construção mais voltada às obras de infraestrutura são as mais debilitadas, uma vez que o setor imobiliário residencial cresceu pelo segundo trimestre seguido no início de 2019. 

Os técnicos do IBGE também observaram que o investimento também foi afetado por uma redução na produção doméstica de máquinas e equipamentos e por mudanças, ocorridas no ano passado, na legislação do setor de petróleo.

Com o chamado Repetro, plataformas de petróleo registradas no exterior, foram incorporadas à produção local, aumentando o investimento de maneira artificial em 2018. Este efeito se esgotou e pode ter ajudado a puxar o resultado para baixo.

A debilidade do investimento levou a FGV/Ibre (Instituto Brasileiro de Economia, da Fundação Getúlio Vargas) a reduzir, na semana passada, suas expectativas de crescimento dos investimentos durante 2019 de 3,8% para 2,3%. 

A projeção, divulgada no Boletim Macro da entidade, considera a contabilização de importações de plataformas de petróleo realizadas no ano passado. Sem elas, o crescimento do investimento seria de 1,4% no ano, diz o boletim.

"Como podemos pensar em crescimento econômico sem investimento?", questionam no documento os economistas Armando Castelar e Silvia Matos. Em março, o Banco Central também reduziu sua projeção de crescimento dos investimentos em 2019, passando de 4,4% para 4,3%.

INDÚSTRIA

Com impactos da fraca demanda interna, de restrições à produção de minério de ferro e da crise da Argentina –um dos principais parceiros comerciais do Brasil–, a indústria fechou o primeiro trimestre em queda de 0,7% frente aos últimos três meses de 2018.

O mau desempenho foi puxado pela indústria extrativa (-6,3%), impactada pela suspensão de operações da Vale após o rompimento da barragem de Brumadinho (MG). A indústria de transformação recuou 0,5%.

Na comparação com o mesmo trimestre de 2018, a indústria caiu 1,1%. A indústria extrativa caiu 3% e a indústria de transformação, 1,7%. Foi o vigésimo trimestre seguido de queda na construção nessa base de comparação.

Em sua última projeção, o Banco Central reduziu a expectativa de crescimento da indústria em 2019 de 2,9% para 1,8%, com recuos nas perspectivas das indústrias de transformação e extrativa.

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