BC nega pressão por reforma e diz que compulsório não é política monetária

Instituição vem destacando em comunicados que reformas são essenciais para a recuperação da economia

Danielle Brant
Brasília

A reiterada alusão à necessidade de aprovação da reforma da Previdência para que o Brasil recupere sua atividade econômica não é forma de chantagem sobre o Congresso, afirmou nesta quinta (27) o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto.

Ele negou ainda que o BC esteja usando o corte nos depósitos compulsórios em substituição à política monetária.

Nos comunicados ao mercado, o Banco Central vem destacando que as reformas são essenciais para a recuperação sustentável da economia. No relatório trimestral de inflação, divulgado nesta quinta, o BC reduziu para 0,8% a projeção para o crescimento do PIB (Produto Interno Bruto) neste ano.

Ao ser questionado sobre se as reiteradas citações não poderiam ser lidas como uma forma de pressão sobre o Congresso, Campos Neto negou. “Não existe nenhum tipo de chantagem [sobre os parlamentares]”, afirmou. 

“De nenhuma forma tem uma pressão no Congresso. É a nossa forma de trabalhar. Quando, obviamente, existe um fator de risco importante que está atribuído a isso, nós temos que mencioná-lo, porque faz parte da análise do Copom.”

Campos Neto lembrou que a aprovação também faz parte do cenário básico de agentes do mercado, e disse que o BC só manteve a coerência nos comunicados, por se tratar de um dos fatores que vinham sendo analisados.

De acordo com ele, é importante ver como a reforma vai afetar a inflação, o que depende de fatores que não são previsíveis no momento. “Qual o tamanho da reforma, qual o tamanho que vai ter dentro do relatório da reforma, não sabemos. Não é trabalho do Banco Central fazer essa análise”, disse.


“Nós trabalhamos com um cenário que a reforma vai ser aprovada. Trabalhamos com um cenário que, aprovando a reforma, isso gera condições estimulativas para a economia, mas é impossível fazer uma projeção além dessas.”
 

Além da aprovação das reformas, o cenário de risco do BC inclui fatores externos e a elevada ociosidade na economia brasileira. 

O presidente do Banco Central comentou ainda a decisão de cortar de 33% para 31% a alíquota para recolhimento compulsório sobre recursos a prazo, em mudança que vai liberar R$ 16,1 bilhões para os bancos. Os recursos poderão ser usados em empréstimos, aumentando a oferta de crédito e ajudando a estimular a economia.

“O compulsório não substitui política monetária. Não é essa nossa visão, não é essa a nossa intenção”, disse. “Nós temos anunciado que temos uma reforma, uma agenda de reforma de mercado, estruturante. Esse tema está muito mais ligado a uma agenda BC# [de medidas estruturais] do que a qualquer tipo de decisão de política monetária”, afirmou. 

O corte da projeção para o crescimento econômico em 2019 contempla um cenário de estabilidade do PIB no segundo trimestre e uma recuperação na segunda parte do ano, afirmou Campos Neto. Contudo, ele não descartou uma eventual queda na atividade de abril a junho, o que jogaria o país formalmente em uma recessão. “Nós temos uma projeção em andamento, pode variar para mais, para menos”, afirmou, sem se estender no tema.

Ele reconheceu a decepção com o PIB do primeiro trimestre, que recuou 0,2% e foi um dos elementos que provocaram a redução da previsão para o crescimento. Já a projeção da inflação, de 3,6% neste ano, foi reduzida pela influência da queda do preço de combustíveis, energia e alimentação, complementou.
 

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