Policiais e empresários são presos por suposto esquema de propinas no Rio

Segundo PF, esquema cobrava até R$ 1,5 milhão para poupar e favorecer alvos de investigações policiais

Diego Garcia Italo Nogueira
Rio de Janeiro

A Polícia Federal do Rio de Janeiro deflagrou uma operação nesta terça-feira (11) com o intuito de desmantelar uma suposta organização criminosa que, segundo as investigações, alcançava a superintendência da PF-RJ.

Foram expedidos três pedidos de prisão temporária, mais seis de prisão preventiva e outros 25 mandados de busca e apreensão.

Carro da polícia federal
PF-RJ deflagrou operação nesta terça para desmantelar uma suposta organização criminosa que, segundo as investigações, alcançava a superintendência do órgão - Folhapress

A ordem partiu da 7ª Vara Federal Criminal do Rio de Janeiro, em operação chamada Tergiversação, que atinge servidores públicos e empresários suspeitos de cobrar propina de alvos de investigação em inquéritos policiais. De acordo com a PF-RJ, policiais e empresários estão entre os detidos.

Ainda segundo a Polícia Federal, um delegado e um escrivão teriam recebido valores para evitar que investigados fossem expostos na mídia e ainda favorecê-los nas apurações que estavam por vir. Os pagamentos, afirma a investigação, chegam a R$ 1,5 milhão, em dinheiro.

Os inquéritos estão relacionados às Operações Titanium e Viupostalis/Recomeço, e os servidores públicos receberiam vantagens indevidas em razão das funções exercidas na instituição. 

"Mais uma vez, ressaltamos que a repressão contra atos de servidores do órgão policial é extremamente sensível e é essencial para a manutenção da lisura e do compromisso que a Polícia Federal tem de servir à sociedade brasileira", disse a PF, em nota.

As investigações contaram com o auxílio de colaboração premiada de empresários abordados. Os suspeitos podem responder por corrupção ativa, corrupção passiva, organização criminosa e lavagem de dinheiro.

De acordo com o Ministério Público Federal, entre aqueles que tiveram decretada a prisão preventiva está o delegado de polícia federal Lorenzo Martins Pompílio da Hora, suspeito de liderar esquema de propinas, segundo o órgão de fiscalização.

O delegado foi um dos envolvidos em depoimento dado por uma testemunha anônima sobre o caso Marielle Franco, que depois virou alvo de investigação por suposta tentativa de atrapalhar as investigações do assassinato da vereadora e do motorista Anderson Gomes.

Lorenzo teria participado de encontro com um policial militar considerado testemunha de uma das versões investigadas pela polícia, quando ele acusou o vereador Marcelo Siciliano (PHS-RJ) e o miliciano Orlando Oliveira de Araújo como mandantes das mortes.

O delegado Lorenzo Pompílio da Hora também conduziu investigação envolvendo fraudes no plano de saúde dos Correios, denominada Operação Titanium. Foi a partir daí, segundo o MPF, que pessoas ligadas a ele procuraram colaboradores para solicitar propinas em troca de poupar suas empresas das apurações nos inquéritos.

Segundo o MPF, os criminosos utilizavam reportagens como elemento de pressão para que os colaboradores cedessem às solicitações de propina, de modo a evitar os prejuízos que decorreriam de uma simples menção do nome de sua empresa em tais reportagens, além de vantagens para que essas empresas não fossem alcançadas por investigações.

"A organização criminosa instalada na Polícia Federal do Rio de Janeiro era dedicada à obtenção de vantagens indevidas por parte de escrivão e delegados e evitar que as investigações alcançassem as empresas parceiras, relacionadas aos intermediários, e que aceitassem efetuar o pagamento de valores vultuosos de propina", diz o Núcleo de Combate à Corrupção do MPF.

A Justiça acatou pedidos de prisão preventiva de um escrivão, um advogado, um médico e empresários. A Folha tenta localizar a defesa dos envolvidos.

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