Entenda o fundo de investimento 3G Capital, fundado por Lemann, Telles e Sicupira

Trajetória da gestora foi marcada por agressiva estratégia de investimentos seguida de rigoroso corte de custos

São Paulo

A 3G Capital é uma gestora de recursos fundada em 2004 pelos bilionários brasileiros Jorge Paulo Lemann, Carlos Alberto Sicupira e Marcel Telles.

A trajetória da gestora foi marcada por uma agressiva estratégia de investimentos em marcas tradicionais, especialmente no setor de consumo, seguida de um rigoroso corte de custos.

No segmento de bebidas, os fundadores da 3G participaram da consolidação global da indústria de cervejas, que culminou com a formação da belgo-brasileira AB InBev. Entre as principais marcas da cervejaria estão a Stella Artois e Budweiser.

A ambição da gestora era promover uma reestruturação com igual escala no setor de alimentos por meio da expansão da Kraft Heinz.

Mas, desde o pico em fevereiro de 2017, as ações da companhia começaram a recuar. Em 2019 a marca, então, perdeu US$ 4,3 bilhões com a queda dos papéis.

Isso porque mudanças em hábitos das novas gerações –que valorizam cada vez mais produtos naturais considerados mais nutritivos– levaram a um acelerado envelhecimento das marcas escolhidas pela 3G, frustrando o projeto.

A companhia também virou alvo de investigação pelo órgão regulador dos EUA, a SEC (Securities and Exchange Commission), por questões relacionadas à sua contabilidade e que cortaria os dividendos em um terço.

Em primeiro de julho, cumprindo o compromisso de redirecionar e modernizar o negócio no setor de alimentos, foi anunciado que o português Miguel Patrício, ex-diretor de marketing da cervejaria AB InBev, assumia o lugar do brasileiro Bernardo Hees.

Patricio passou duas décadas na AB InBev, incluindo a função de diretor de marketing global, entre 2012 e 2018. Mais recentemente, trabalhou de perto com Carlos Brito, presidente-executivo da empresa de bebidas, como diretor de projetos globais especiais.

CULTURA DE CORTES

A 3G se tornou o carro-chefe do orçamento base zero (ZBB, na sigla em inglês), uma estratégia contábil criada na década de 1960 que a gestora aperfeiçoou e popularizou, primeiro com a aquisição, por seus fundadores, de companhias brasileiras de cerveja, e, mais tarde, no cenário mundial.

A ideia é de que cada despesa seja justificada de novo a cada ano, não importa o quanto seja baixa, em lugar o orçamento do ano anterior ser usado como ponto de partida.

A gestora dizia acreditar que os cortes de custos gerados pelo ZBB ajudariam a bancar investimentos que acelerariam o crescimento de vendas.

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