Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Governo e BB levantam R$ 7,4 bi em oferta de ações da IRB Brasil

Papéis começam a ser negociados na Bolsa na próxima segunda-feira

São Paulo | Reuters

A resseguradora IRB Brasil Resseguros estabeleceu preço de ação em R$ 88 em uma oferta secundária fechada na noite de quinta-feira (18), informou a companhia nesta sexta-feira (19) em comunicado ao mercado.

O governo brasileiro e a BB Seguros, ambos acionistas do IRB, levantaram cerca de R$ 7,4 bilhões com a oferta, como parte de um plano mais abrangente do presidente Jair Bolsonaro de vender ativos.

A BB Seguros é uma subsidiária da BB Seguridade, que por sua vez pertence ao Banco do Brasil.

Em comunicado, o BB disse que estima impacto positivo no resultado do terceiro trimestre de 2019 do banco de aproximadamente R$ 1,6 bilhão com a operação.

O preço da oferta teve um desconto ao redor de 2% em relação ao preço de fechamento da ação na quinta-feira, de R$ 90. O papel acumula queda de 8,4% nos últimos 30 dias, após os acionistas divulgarem a intenção de se desfazerem de fatia na empresa.

As unidades de banco de investimentos do Banco do Brasil, Bank of America, Banco Bradesco, Caixa Econômica Federal, Citigroup, Itaú Unibanco e UBS coordenaram a operação.

As ações distribuídas na oferta começam a ser negociadas na Bolsa na próxima segunda-feira (22).

Após a oferta, os bancos privados Bradesco e Itaú continuarão como os principais acionistas do IRB, com uma participação de 15,2% cada. Eles não podem vender suas fatias pelos próximos seis meses.

RESSEGUROS

O IRB é líder no mercado de resseguros na América Latina e a oitava maior do setor em valor de mercado no mundo, segundo informações da companhia. O resseguro é o seguro contratado por uma seguradora com o objetivo de obter indenização caso suas apólices de seguro provoquem quaisquer danos.

No Brasil, o IRB deteve o monopólio do setor por quase sete décadas —de 1939, quando foi criado, até 2007, quando a lei complementar 126 pôs fim à exclusividade.

A companhia teve a sua imagem abalada depois do envolvimento no escândalo de pagamento de propinas do mensalão.

O caso foi revelado em 2005. Investigação interna da resseguradora concluiu que o ex-presidente da estatal Lídio Duarte e o ex-diretor Comercial Luiz Eduardo Lucena indicaram, sem critérios técnicos, três corretoras de seguros para intermediar a colocação de parte dos contratos de resseguros no exterior.

O dono de uma dessas corretoras, Henrique Brandão, amigo do ex-deputado federal Roberto Jefferson, pivô do escândalo, teria cobrado R$ 400 mil por mês em nome do então deputado.

O instituto foi privatizado em 2013 e, quatro anos depois, fez uma oferta inicial de ações na Bolsa brasileira que levantou R$ 2 bilhões. Desde então, seus papéis subiram mais de 270%. 

No primeiro trimestre deste ano, o IRB registrou crescimento de 26,2% nos prêmios (valor pago) emitidos em relação aos mesmos três meses de 2018, para R$ 1,8 bilhão.

A decisão da União de se desfazer de suas ações na empresa ocorre após a Caixa ter vendido sua participação na resseguradora. Em fevereiro deste ano, a empresa fez uma oferta secundária de ações para vender os 8,9% que o banco estatal detinha, em operação que totalizou R$ 2,4 bilhões.

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