Nubank recebe novo investimento e passa a valer US$ 10 bi

Companhia captou US$ 400 milhões para investimento em expansão internacional

Filipe Oliveira
São Paulo

A fintech (empresa de tecnologia financeira) Nubank anunciou ter recebido um novo investimento, desta vez de US$ 400 milhões (R$ 1,5 bilhão).

Com isso, passa a ter valor de mercado de US$ 10 bilhões. A maior parte dos recursos vieram do fundo americano TCV. 

A empresa acumula US$ 820 milhões levantados em sete rodadas de investimento desde sua fundação, em 2013.

A companhia entrou no mercado oferecendo um cartão de crédito sem anuidade e gerenciado por aplicativo. Atualmente conta com produtos como conta digital e programa de fidelidade, oferece empréstimo e testa sua primeira conta para pessoa jurídica.

A empresa afirma contar com 12 milhões de clientes.

O investimento na fintech acontece em momento no qual os patamares das injeções de capital em startup estão em alta.

Neste ano, a colombiana Rappi, de entregas por motoboy, levantou US$ 1 bilhão com o grupo japonês softbank.  O mesmo fundo liderou neste ano aportes de US$ 150 milhões, US$ 230 milhões  e US$ 300 milhões nas startups Loggi (logística), Creditas (empréstimos) e Gympass (academias), respectivamente.

Já no final de 2018, o iFood anunciou ter recebido US$ 500 milhões para expandir seu serviço de entrega de comida.

Confirmando a disponibilidade de dinheiro para startups da América Latina, Cristina Junqueira, cofundadora do Nubank, diz que a opção por captar recursos agora se deu pelo fato de o mercado estar em momento favorável para esse tipo de operação.

"É um momento em que as condições são boas, há muito dinheiro disponível no mundo e não estamos com uma grande urgência de dinheiro", disse.

Segundo ela, os recursos serão usados para investimentos nos escritórios internacionais da companhia, no México e Argentina, além da unidade especializada em inovação que fica na Alemanha. "Temos perspectivas para grandes investimentos".

A expansão internacional da empresa começou em maio deste ano.

A companhia conta com 1.800 profissionais. Segundo Junqueira, a meta é encerrar o ano com 2.500.


Sobre o cenário econômico brasileiro, ela diz acreditar que haverá recuperação da economia, mas que o crescimento do Nubank independe disso.

"Começamos a operar quando o país estava no fundo do poço, na pior recessão da história. E nossos objetivos sempre foram alcançados apesar dos problemas."

Junqueira diz que, para o futuro, é natural que a companhia busque uma abertura de capital como forma de remunerar os investidores que apostaram nela.

Porém ela diz que não há previsão sobre quando o processo acontecerá nem pressa para isso. "Enquanto pudermos, vamos evitar. Ser uma empresa de capital aberto é algo que exige muito trabalho".

Por outro lado, ela diz que a empresa não aceitará propostas de compra de outras companhias. "Estamos fazendo algo para desafiar o sistema. Não faz sentido vender para alguém que já está aí."

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