Petrobras estima levantar até R$ 9,4 bilhões com privatização da BR

Com oferta de novas ações este mês, estatal ficará com fatia inferior a 50%

Rio de Janeiro

A Petrobras agendou para o fim de julho nova oferta de ações da BR Distribuidora, com a qual espera reduzir sua participação na subsidiária para menos do que 50%. Em prospecto sobre a operação, a companhia estima receber até R$ 9,4 bilhões, caso todas os papéis ofertados sejam vendidas.

A Petrobras vai oferecer entre 25% e 33,75% das ações da BR, em uma operação que se tornou possível após decisão do STF (Supremo Tribunal Federal) liberando a privatização de subsidiárias de estatais sem aval do Congresso. 

A venda das ações é BR é parte do plano de desinvestimentos da Petrobras, que quer levantar recursos para pagar dívidas e focar na exploração do pré-sal. Foi aprovada por seu conselho de administração em maio.

Tanque da Petrobras em Paulínia, interior de São Paulo
Tanque da Petrobras em Paulínia, interior de São Paulo - Paulo Whitaker - 06.mai.2019/Reuters

Em 2017, a Petrobras já havia vendido 28,75% das ações da BR, em operação que movimentou R$ 5 bilhões. Agora, estima receber entre R$ 7,1 bilhões e R$ 9,4 bilhões, já descontando só custos da oferta. A conta considera a cotação do dia 1º de julho (R$ 24,50).

O valor final, porém, só será conhecido ao fim da operação. Nesta terça, as ações da BR fecharam cotadas a R$ 24, alta de 1,69% em, relação ao dia anterior. Já as ações preferenciais da Petrobras, mais negociadas, se valorizaram 1,34%.

Caso o volume mínimo da oferta seja vendida, a Petrobras ficará com 46,25% da subsidiária. Com a venda do volume máximo, a participação cai para 37,50%. A avaliação da gestão das empresas é que, sem controle estatal, a distribuidora ficará mais ágil para competir.

Não há limites de compra de participação para investidores institucionais, mas a empresa espera que a oferta seja pulverizada. Como 10% das ações oferecidas são destinadas ao investidor de varejo, não há chances de que algum novo sócio tenha fatia maior na BR do que a da estatal.

Atualmente, não há nenhum investidor com fatia superior a 5% do capital da BR Distribuidora, o que já garante alguns direitos em relação aos outros sócios.

“Normalmente, um investidor que queira comprar fatia representativa em emissões de ações negocia um contrato de investidor âncora, porque quer ter acordo de acionistas com direitos diferenciados”, diz Giovani Loss, especialista em energia e recursos naturais do escritório Mattos Filho.

“Nesse caso, não houve e provavelmente não haverá”, completa ele, que acredita também em pulverização dos compradores dos papéis, diante do bom momento da bolsa brasileira.

Ainda assim, a avaliação de sindicatos ligados à empresa é que nada impede que, após a oferta, investidores se unam para formar um bloco e negociar um acordo de acionistas com os controladores.

Maior distribuidora de combustíveis do país, a BR está presente em todos os estados, com 27,4% de participação no mercado. Conta com uma rede de 7.703 mil postos de gasolina, 95 unidades operacionais e atuação em 99 aeroportos. Em 2018, a empresa faturou R$ 97,8 bilhões, com lucro de R$ 3,2 bilhões.

“A companhia acredita que sua ampla rede de postos ocupa posição privilegiada no país. Em termos de número de estabelecimentos, a companhia é a maior rede de postos em quatro das cinco regiões do Brasil”, diz a Petrobras, no prospecto.

“Além disso, a companhia é o distribuidor líder nas regiões Nordeste e Centro-Oeste, que têm apresentado os maiores índices de crescimento (PIB) do Brasil”, continua. A BR tem como principais competidores a Raízen, empresa da Cosan que opera com a marca Shell, e a Ipiranga, do grupo Ultra.

A avaliação da gestão das empresas é que, sem controle estatal, a distribuidora ficará mais ágil para competir.

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