Doria condena divulgação de lista e diz que BNDES faz 'uso político' de informações

Governador diz que a prática é condenável tanto hoje como no passado, em governos do PT

Marina Estarque
São Paulo

O governador de São Paulo João Doria (PSDB) disse, em coletiva nesta quarta-feira (21), que considera a divulgação da lista de financiamentos de jatos pelo BNDES como uso político da instituição.

Não cabe a um banco revelar a quem disponibiliza seus financiamentos. O uso político do BNDES é tão condenável hoje como foi no passado no governo do PT”, disse.

O governador afirmou que comprou uma aeronave em um “procedimento normal, regular”, que, segundo ele, também é comum em outros países.
 

jato Embraer Phenom, semelhante ao utilizado por Luciano Huck - 9.out.17/Reuters

“Entendo que não foi uma boa medida, correta, do ponto de vista do BNDES, a utilização política e ainda classificando como caixa preta. Não há caixa preta alguma nisso, é um fato normal dentro de um banco de financiamento”, afirmou.

Ele classificou ainda a medida como apelativa. “Destacar Luciano Huck​ e João Doria dentro desse contexto foi um processo mais apelativo que eu como cidadão, como brasileiro e como governador, condeno”.

O BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) divulgou na noite de segunda-feira (19) lista com 134 contratos de financiamentos de jatos executivos da Embraer a juros subsidiados, no valor total de R$ 1,921 bilhão.

Segundo o banco, o custo com o subsídio às aeronaves chega a R$ 693 milhões, em valores corrigidos.

A possibilidade de divulgação da lista foi anunciada na quinta-feira (15) pelo presidente Jair Bolsonaro, como uma das medidas para "abrir a caixa preta" do banco estatal, uma de suas promessas de campanha.

Os contratos foram assinados entre 2009 e 2014. 

O governador João Doria assinou contrato de empréstimo de R$ 44 milhões por meio da Doria Administração de Bens. 

Em sua conta no Twitter, o governador disse na manhã de terça-feira que "oportunistas"  tentam associar o financiamento  "totalmente dentro das regras que o banco estabelece", como se fosse algo errado.

O governador criticou a divulgação da lista e recomendou que o BNDES "focasse nos bilhões emprestados pelo BNDES" para obras de desenvolvimento em países 'companheiros' durante a gestão do PT no Governo Federal e que nunca foram pagas."

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