Descrição de chapéu Financial Times

Nova diretora do FMI alerta para falta de instrumentos contra uma nova crise global

Apesar de a vigilância financeira ser maior, juros historicamente baixos limitam ação dos governo, diz Kristalina Georgieva

James Politi
Financial Times

Kristalina Georgieva, que assumirá o comando do FMI (Fundo Monetário Internacional), alertou que a capacidade de o planeta enfrentar uma desaceleração econômica mundial poderia "ser colocada em teste em breve", e prometeu que suas prioridades seriam "minimizar o risco de crise"' e "estar pronta para lidar com desacelerações".

A economista búlgara disse que embora o mundo e o FMI estejam em posição melhor para responder a uma nova desaceleração, de algumas maneiras —entre as quais a melhora dos sistemas de vigilância financeira e das redes mundiais de segurança—, outros fatores, como a disponibilidade limitada de instrumentos de política monetária, poderiam tornar a tarefa mais difícil.

"Mobilizar uma resposta coletiva rápida às ameaças que o mundo enfrenta hoje é mais difícil do que uma década atrás", disse Georgieva, 66, em declarações ao conselho do FMI antes da decisão formal de apontá-la para o papel de diretora-executiva do fundo, na quarta-feira (25). "Com os sinais de alerta acionados, nossa preparação em breve será testada".

Georgieva, 66, nascida na Bulgária, é presidente-executiva do Banco Mundial desde o começo de 2017. Foi comissária da União Europeia para assistência e combate a crises - Gonzalo Fuentes/Reuters

Georgieva, que assumirá o posto em 1º de outubro, antes da assembleia anual do FMI no mesmo mês, chega ao fundo vinda do Banco Mundial, do qual ela foi presidente-executiva desde 2017, e de uma passagem anterior de sete anos pela Comissão Europeia.

Georgieva substituirá Christine Lagarde, que renunciou ao posto ao ser escolhida para a presidência do BCE (Banco Central Europeu).

O mandato dela começará em um momento no qual o FMI enfrenta ansiedade quanto ao destino do pacote de resgate de US$ 57 bilhões à Argentina, o maior da história, que ameaça ser tirado dos trilhos pela vitória de um candidato populista prevista para a eleição presidencial do país no mês que vem.

Georgieva também terá de enfrentar outros grandes desafios, entre os quais as consequências da guerra comercial entre Estados Unidos e China para a economia mundial, as possíveis repercussões de um Brexit sem acordo para a economia europeia, e a tentativa do FMI de se manter suficientemente capitalizado para oferecer resgate simultâneo a diversos governos em crise, caso necessário.

"Em uma economia em deterioração, a situação será mais difícil para todos, e especialmente para os países que já enfrentam dificuldades, alguns dos quais já receberam programas do Fundo", ela disse. "O Fundo precisa garantir que os programas se mantenham relevantes e que reflitam o pleno espectro da mudança de circunstâncias".

Muitos observadores apontaram que Georgieva provavelmente adotaria uma abordagem semelhante à de Lagarde para administrar o FMI, o que incluiria ampliar o alcance do Fundo para abarcar questões que por muito tempo não foram vistas como centrais para a estabilidade financeira, como a igualdade de gêneros e a mudança do clima, fatores agora vistos como mais relevantes para a saúde macroeconômica.

 

"Confiamos em que ela será uma voz forte na luta contra a desigualdade e como defensora da ação quanto ao clima e da igualdade de gêneros", disse Nadia Daar, diretora do escritório da organização assistencial Oxfam em Washington. "Essas questões, que têm impacto pesado sobre o crescimento, estabilidade e pobreza, requerem forte liderança política do FMI, agora mais que nunca".

Mesmo no Fundo, Georgieva disse que buscaria "avanços mensuráveis e significativos em todos os aspectos da diversidade, com foco especial em ampliar o número e senioridade das mulheres e dos cidadãos de regiões sub-representadas".

Dado seu retrospecto no Banco Mundial e experiência pessoal como cidadã de uma economia de mercado emergente na Europa, a expectativa é de que Georgieva demonstre conhecimento especialmente sólido sobre como enfrentar problemas financeiros em economias em desenvolvimento.

Ela disse que queria garantir que instrumentos preventivos, como linhas de crédito, sejam "projetados apropriadamente e aplicáveis a uma grande gama de países", e disse que o Fundo precisava ser mais flexível em seus programas de "empréstimos e criação de capacidades" em países de baixa renda, a fim de responder a necessidades e circunstâncias específicas.

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