Descrição de chapéu Governo Bolsonaro

Acordo Mercosul-Japão não deve ser fechado em viagem de Bolsonaro

Para diplomatas brasileiros, proposta não está madura o suficiente e Japão tem resistência em fazer o anúncio

Gustavo Uribe
Tóquio

Apesar da grande expectativa do governo brasileiro, um acordo de parceria entre o Mercosul e o Japão não deve ser anunciado durante a viagem do presidente Jair Bolsonaro ao país asiático.

O assunto deverá ser tratado em reunião bilateral entre o brasileiro e o primeiro-ministro japonês, Shinzo Abe, na quarta-feira (23), mas até mesmo o corpo diplomático do Brasil considera a chance remota.

Segundo negociadores ouvidos pela Folha, a proposta ainda não está madura o suficiente e o governo japonês tem demonstrado resistência em fazer um anúncio em meio à cerimônia de ascensão do novo imperador japonês, marcada para terça-feira (22).

Presidente Jair Bolsonaro em coletiva de imprensa em Tóquio, no Japão
Presidente Jair Bolsonaro em coletiva de imprensa em Tóquio, no Japão - José Dias/PR

Nesta segunda-feira (21), ao chegar à cidade de Tóquio, Bolsonaro demonstrou animação com a possibilidade de um acordo e disse que tem interesse ainda de fechar parcerias do bloco comercial com a Coreia do Sul e com os Estados Unidos.

"É lógico que estou interessado. A Coreia do Sul também. Até os Estados Unidos. Está indo bem o Brasil", afirmou.

O Japão começou a demonstrar interesse em formar um pacto em julho, após o anúncio de um acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Nos últimos anos, o fluxo comercial entre os mercados brasileiro e japonês sofreu um recuo, o que tem preocupado os dois países. 

Com uma hipótese reduzida de um anúncio nesta quarta-feira (23), a aposta da diplomacia brasileira é de que um acordo pode ser amadurecido até o final do ano. Em novembro, por exemplo, Shinzo Abe deve visitar o Brasil.

Bolsonaro iniciou nesta segunda-feira (21) uma viagem de mais de dez dias pelo continente asiático. Além do Japão, ele visitará a China, a Arábia Saudita, os Emirados Árabes e o Catar. 

Nos demais países, o foco será melhorar a relação comercial com as nações asiáticas e aumentar o comércio de proteína animal.

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