'Mais precisa ser feito' para Brasil manter crescimento econômico, diz FMI

Fundo espera que reformas fiscais e estruturais sejam concluídas para país entrar em rota econômica crescente

Marina Dias
Washington

O FMI (Fundo Monetário Internacional) elevou a projeção do PIB brasileiro em 2019, mas afirmou que "mais precisa ser feito" em termos de reformas fiscais e estruturais para que o país entre de vez em uma rota de crescimento econômico.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou nesta terça-feira (15) que o Brasil "registrou alguma recuperação e melhora" nos índices econômicos este ano, com destaque para o avanço da reforma da Previdência no Congresso. No entanto, ponderou que as incertezas políticas que envolveram a negociação do projeto refletem de forma negativa nos números do país e que é preciso concluir as reformas para superar a crise.

"A reforma da Previdência está em progresso. Isso é bom mas, isso posto, mais precisa ser feito", disse Gopinath em coletiva à imprensa em Washington. "Esperamos que, com mais reformas, as perspectivas melhorem."

Gita Gopinath, economista-chefe do FMI e o diretor do departamento de pesquisas, Gian Maria Milesi-Ferretti - Olivier Douliery/AFP

Oya Celasun, chefe da divisão responsável pelo documento Perspectiva Econômica Mundial do FMI, por sua vez, acrescentou que o Brasil cresceu cerca de 1% nos últimos anos e, este ano, "apenas 0,9%."

"Esperamos esse progresso nas reformas fiscais e estruturais para a confiança na economia começar a ser percebida."

Os dados sobre a atividade econômica no Brasil já divulgados para o terceiro trimestre deste ano mostram que a economia segue em trajetória errática, sem sinais de retomada consistente e ainda depende do consumo das famílias e dos setores de comércio e serviços.

Investidores nos EUA, por exemplo, afirmam que têm adiado colocar dinheiro no Brasil porque o andamento das reformas no Congresso não tem se refletido nos índices econômicos e, sem crescimento, avaliam que é melhor não apostar no país agora.

O FMI divulgou nesta terça o relatório "Desaceleração global da manufatura, barreiras comerciais em elevação", no qual aumenta a projeção do PIB do Brasil em 2019 de 0,8% —estimativa em julho— para 0,9% agora. Em 2020, a previsão passou de 2,4% para 2%.

Na esteira da guerra comercial entre EUA e China e a desaceleração da economia global, o Fundo também previu a diminuição do ritmo de crescimento mundial para 3% este ano, o menor patamar desde a chamada Grande Recessão, dez anos atrás. Para 2020, o cenário no mundo é de pequena recuperação, com alta projetada de 3,4%, mas ainda abaixo do crescimento de 2018, de 3,6%.

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