Reduzir TEC ajudará invasão chinesa, dizem entidades

Medida também pode causa desemprego no país

Marcelo Toledo
Ribeirão Preto

As possibilidades de reduções drásticas da TEC (Tarifa Externa Comum) nas importações de ônibus e calçados causarão desemprego no país, devido à invasão de produtos da China e de outros países asiáticos. A avaliação foi feita nesta terça-feira (22) por entidades do setor após a divulgação da última proposta tributária discutida entre países do Mercosul.

Para os ônibus trazidos do exterior a alíquota pode cair de 35% para 4%, enquanto para os sapatos a redução pode ser de 31,8% para 12%, conforme revelou o Valor. “Estamos indignados, não fomos consultados. Estamos nos mobilizando para mostrar o problema que poderá ser causado e se o governo não fizer a sua parte”, disse Ruben Bisi, presidente da Fabus (associação dos fabricantes de ônibus) e diretor da Marcopolo.

Segundo ele, a indústria brasileira é exportadora, ao contrário de outros países do Mercosul. “A Argentina não exporta, e Paraguai e Uruguai não têm indústria. Para eles, ter tarifa zero seria o ideal, poderiam importar porque não há indústria local. O imposto de 35% é exagerado, protecionista, concordamos. Vir para 20% seria mais razoável. Chegar aqui com 4% é invadir o Brasil e acabar com as empresas.”

Já Haroldo Ferreira, presidente-executivo da Abicalçados (associação das indústrias), disse que a alíquota deve ser aplicada com a redução dos custos. “Reduzir imposto de importação e os custos tornariam o calçado mais competitivo para exportação. Se o governo reduzir o imposto em 20 pontos percentuais, e o custo Brasil não reduzir nada, aí será um problema.”

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