Concentração bancária é sinal de que há espaço para XP crescer, diz Benchimol

Aproximadamente 200 pessoas estiveram presentes no evento de abertura de capital da companhia brasileira

Paula Moura
Nova York

Ainda há muito espaço para a XP crescer no Brasil. Essa foi a avaliação de Guilherme Benchimol, sócio e fundador da casa de investimentos, em discurso feito para convidados na abertura de capital da empresa na Bolsa de tecnologia Nasdaq nesta quarta-feira (11).

"Olha a concentração bancária, 90% da poupança do Brasil ainda [está] dentro dos bancos", disse. 

Já na apresentação aberta ao público, Benchimol disse, em português e com uma bandeira do Brasil nos ombros, que é preciso ter novos empreendedores no Brasil para gerar mais empregos e oportunidades. 

"Ajudando as pessoas a investirem melhor, nós vamos ajudar a fazer um Brasil melhor."

Entre sócios, funcionários e agentes autônomos, aproximadamente 200 pessoas estiveram presentes no IPO da companhia nesta quarta.

Guilherme Benchimol durante evento de abertura de capital da XP na Nasdaq
Guilherme Benchimol durante evento de abertura de capital da XP na Nasdaq - Divulgação

A casa de investimentos XP deve captar US$ 2,25 bilhões (R$ 9,33 bilhões) em sua abertura de capital.

Os​ investidores que adquiriram os papéis, que começam a ser negociados em Bolsa americana nesta quarta-feira, pagaram US$ 27 (R$ 112) por ação.

O valor ficou acima do que a empresa havia sinalizado em seu prospecto, que era de US$ 22 a US$ 25 (cerca de R$ 91 a 104).

Ao todo, foram ofertadas 83 milhões de ações neste que é o quarto maior IPO (oferta inicial de ações na sigla em inglês) do ano nos EUA e o segundo maior de uma empresa brasileira, atrás apenas da PagSeguro –sistema de pagamentos de compras que pertence ao UOL, que tem participação acionária minoritária e indireta da Folha— em 2018.

Com a precificação, a empresa estreia com valor de mercado de US$ 14,9 bilhões (R$ 61,82 bilhões), o que a coloca entre as 20 empresas brasileiras de capital aberto mais valiosas.

Os papéis da corretora serão negociados sob o código "XP". A oferta pública inicial da companhia é tanto primária quanto secundária, o que significa que parte do dinheiro captado irá para o caixa da empresa e outra parte para os acionistas vendedores.

Os principais sócios da companhia são os fundos Dynamo e General Atlantic, além de seu fundador Guilherme Benchimol (Marcelo Maisonnave, outro fundador, deixou a companhia em 2014) e o Itaú Unibanco. A XP Inc. continua detendo ações classe B (que possuem poder de voto dez vezes maior) e terá o equivalente a 56,2% do poder de voto.

Após a estreia, o braço de investimentos da companhia lançou nesta quarta-feira dois fundos de investimento para atender demanda de brasileiros que queiram investir nas ações da XP Inc.

XP Investimentos faz IPO (da sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) em Nova York
XP Investimentos faz IPO (da sigla em inglês para oferta pública inicial de ações) em Nova York - Divulgação

Visando facilitar o acesso as ações da empresa na Nasdaq, a aplicação inicial é de R$ 500 com proteção à variação do dólar.

Para brasileiros investirem diretamente em ações na Nasdaq é necessário uma conta corrente em uma corretora nos Estados Unidos.

Segundo a casa de investimentos, os fundos não irão participar do processo de bookbuilding (avaliação da demanda pelas ações da empresa) do IPO. Em nota, a empresa afirma que a compra das ações da XP Inc. pelos fundos será realizada somente no mercado secundário após o encerramento da oferta, em, no mínimo, dois dias após o início das negociações. 

O agendamento para as aplicações dos interessados está aberto a partir desta quarta-feira (11), com liquidação prevista para sexta-feira (13).

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