Mansueto diz que Brasil pode crescer 2,5% em 2020 e ter upgrade em nota de crédito

Para secretário de Tesouro e economistas, novas reformas são necessárias para garantir retornada

São Paulo

A economia brasileira pode ter um crescimento de 2,5% em 2020, de acordo com o secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, que citou a projeção com base na expectativa de investimentos apresentados por empresas no país para o próximo ano.

Mansueto afirmou também que o Brasil deve ter uma melhora na sua nota de crédito se persistir nas reformas na área econômica.

“Já estou escutando, pelo tipo de investimento e planejamento de algumas empresas, que a gente pode ter, pelo menos, um crescimento de 2,3%. Pode ser maior. O crescimento pode tranquilamente ser por volta de 2,3%, 2,5%", afirmou o secretário durante evento da XP Investimentos sobre perspectivas para 2020.

“A gente está terminando o ano de 2019 e começando 2020 em um cenário muito melhor do que o governo e o mercado esperava.”

O secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida - Amanda Perobelli - 8.ago.19/Reuters

Segundo Mansueto, até maio deste ano o cenário era que um governo recém-eleito, sem base política, não conseguiria aprovar uma reforma da Previdência robusta em termos de economia como a que foi promulgada.

Ainda na área fiscal, a expectativa era um déficit de R$ 132 bilhões, que deve terminar o ano na casa de R$ 60 bilhões a R$ 80 bilhões, e que a dívida bruta superasse a marca de 80% do PIB (Produto Interno Bruto), algo que não irá mais acontecer.

O secretário disse também esperar que, nos próximos meses, pelo menos duas agências de classificação de risco coloquem a nota de crédito do Brasil em perspectiva positiva, ou seja, com indicação de que o país subirá um degrau na escada que o separa do grau de investimento.

“A perspectiva é muito boa [de ter melhora na nota de crédito do Brasil em 2020]. Se a gente persistir nas reformas o upgrade é questão de tempo”, afirmou.

Sobre as reformas, Mansueto falou sobre as três PECs (Proposta de Emenda à Constituição) que ajustam o gasto público e sobre a necessidade de se fazer uma reforma administrativa e alterar o sistema tributário.

Essa últimas são duas propostas cuja apresentação tem sido adiada pelo governo e podem ficar para o próximo ano.

No mesmo evento, Ana Carla Abrão, economista e sócia da consultoria Oliver Wyman, afirmou que o país está colhendo, ainda de forma muito tímida, os frutos das reformas econômicas que estão sendo feitas desde 2017 e que ainda é necessário fazer reformas na esfera federal e também estadual.

“Uma série de medidas que vieram em 2017 e 2018 estão maturando. Até pouco tempo, o debate era se iríamos colapsar ou não. Mas essa foi uma agenda do governo federal. Estados e municípios ainda não entraram nessa agenda de forma sistemática, infelizmente."

A economista-chefe da XP, Zeina Latif, que comandou o debate, afirmou que "o retrato" de 2019 não é exatamente bom na área econômica, pois o PIB não deve crescer acima dos 1,3% vistos nos dois anos anteriores e a agenda de reformas que não conseguiu avançar tanto quanto era esperado no além da Previdência. 

“Mas o filme ao longo do ano foi positivo. A gente vê o mercado de crédito mais operacional e uma economia que ganhou tração ao longo do segundo semestre. Hoje, as incertezas em relação ao próximo ano, o risco de termos uma tremenda decepção com o PIB do ano que vem, diminuiu”, disse a economista.

Zeina afirmou que a inflação não traz preocupação e que, mesmo que o Banco Central tenha de subir os juros no ano que vem, ao que pode ocorrer, não será um choque de juros.

Tópicos relacionados

Comentários

Os comentários não representam a opinião do jornal; a responsabilidade é do autor da mensagem.