Casa de Edemar Cid Ferreira, do falido Banco Santos, vai virar escola de alto padrão

Empresário Janguiê Diniz, que arrematou imóvel, já depositou R$ 11 milhões

São Paulo

A casa que pertenceu ao banqueiro Edemar Cid Ferreira, do falido Banco Santos, vai se tornar uma escola de alto padrão.

Esse é o projeto de Janguiê Diniz, fundador do grupo Ser Educacional, que arrematou o imóvel por R$ 27,5 milhões na última terça-feira (18). 

Diniz já depositou R$ 11 milhões, o equivalente a 40% do valor, o restante será parcelado em seis vezes, como prevê o edital do leilão. Ele só poderá ocupar o imóvel após o pagamento de 100% do valor. 

O espaço conta com terreno de 8.000 metros quadrados e um complexo de cinco andares que ocupa uma área de 4.100 metros quadrados. O local será transformado em um centro de ensino básico (do infantil ao médio) nos moldes da escola Ad Astra School, desenvolvida pelo fundador da Tesla, Elon Musk.

Segundo comunicado da assessoria de imprensa de Diniz, a escola será “fundamentada no pensamento global, usará métodos de solução de problemas reais de forma integrada para ensinar multi habilidades e desenvolver o pensamento crítico”.

Além do imóvel, Diniz também comprou 11 obras de arte, que foram comercializadas junto com a casa. São peças como uma mesa de mogno de 1.850, uma parede de azulejos do século 18, duas esculturas da cultura maia, que vieram da América Central, uma escultura chinesa e um desenho projetado por Burle Marx.

Esse foi o quinto leilão do imóvel. Nos dois primeiros, não houve interessados. Em maio de 2019, no terceiro leilão, o imóvel chegou a ser arrematado por R$ 23,3 milhões. Mas o comprador, que não teve o nome revelado, não depositou o valor dentro do prazo estipulado pelo leiloeiro.

No quarto leilão, realizado em outubro do ano passado, a mansão foi vendida por R$ 9 milhões, mas o juiz Paulo Furtado de Oliveira Filho, da 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais de SP, não aceitou o valor.

Dessa vez, 20 pessoas se habilitaram para participar do leilão, que recebeu 16 lances e  31.300 visualizações. 

 A casa é parte da massa falida do banco —que sofreu intervenção do Banco Central em 2004, após um rombo de R$ 2,2 bilhões— e os valores serão revertidos para o pagamento dos credores. A massa falida do Santos ainda espera o leilão da carteira de créditos do banco, que pode render cerca de R$ 500 milhões.

A avaliação inicial da casa era de R$ 110 milhões, valor que depois foi reduzido para R$ 76,8 milhões. Mas os credores do banco não aceitavam vender por menos de R$ 94 milhões. A última avaliação pericial havia apontado um valor de R$ 78 milhões.

Construída entre 2000 e 2004, a casa, na rua Gália, no Morumbi (região oeste de São Paulo), foi projetada pelo arquiteto Ruy Ohtake, que recebeu R$ 1,15 milhão pelo serviço. O decorador norte-americano Peter Marino recebeu outros R$ 8,86 milhões.

O imóvel tem duas galerias de arte, com pé-direito de nove metros, uma biblioteca e um heliponto.

Banheiros de vidro com tecnologia que muda de cor quando estão ocupados, mármores importados da França e elevadores pneumáticos também contribuíram para elevar o preço do imóvel, que custou ao ex-banqueiro mais de R$ 140 milhões.
 

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