Produção de veículos cai 3,2% em janeiro, diz associação de montadoras

Entidade diz que coronavírus ainda não afeta fornecimento de componentes para carros

São Paulo

A produção de veículos no país acompanhou a queda nas vendas em janeiro. De acordo com a Anfavea (associação que representa as montadoras), houve redução de 3,9% em relação ao mesmo mês de 2019.

O cálculo considera a fabricação de carros de passeio, comerciais leves, ônibus e caminhões. Em relação a dezembro, a produção cresceu 12,2%.

A entidade avalia os resultados como normais devido ao período de férias coletivas nas fábricas e espera retomada nos próximos meses.

Luiz Carlos Moraes, presidente da Anfavea, repetiu o discurso da Fenabrave (que representa os distribuidores) e atribuiu parte da queda de 3,2% nas vendas à mudança nas placas de veículos novos em São Paulo, que passou a adotar o padrão Mercosul.

 

O executivo afirmou que a paralisação de fábricas de componentes na China por causa do coronavírus ainda não afeta a produção brasileira de automóveis. Segundo Moraes, as empresas estão acompanhando a situação.

De acordo com o presidente da Anfavea, o problema é monitorado 24h por dia em um trabalho que não inclui apenas montadoras, mas também fornecedores nacionais que utilizam componentes chineses para montar outras peças.

Moraes disse ainda que, por causa da distância e das consequentes complicações logísticas, as fabricantes têm estoques maiores das peças que são trazidas da China, suficientes para cobrir de três a quatro meses de produção.

Entretanto, há dificuldade em monitorar toda a cadeia de suprimentos. Há fornecedores instalados em outros países que utilizam componentes chineses para montar outros equipamentos.

Se um item montado na Alemanha e exportado para o Brasil tiver uma parte originada de áreas afetadas pelo coronavírus, a produção poder ser interrompida.

Segundo o jornal Financial Times, executivos de várias montadoras calculam que fábricas na Europa e nos EUA podem interromper a produção dentro de algumas semanas devido à falta de componentes chineses.

No início desta semana, a Hyundai fechou suas unidades fabris na Coreia do Sul por não ter algumas peças importadas da China em estoque.

O grupo FCA Fiat Chrysler também emitiu alerta sobre a iminente falta de componentes em suas linhas de produção, o que poderia parar uma de suas fábricas europeias na próxima semana.

A empresa afirma ter quatro fornecedores com problemas de produção na China por causa do coronavírus.  

Exportações têm queda de 20% em janeiro

Em janeiro, as exportações sofreram mais um baque e tiveram redução de 20% na comparação com o primeiro mês de 2019, com menor número de envios para o México e para o Chile, além da crise na Argentina.

“Estou muito preocupado, o fluxo caiu. É preciso ter um cuidado maior com os produtos industrializados exportados, que também geram empregos de maior qualidade”, disse Moraes.

A Anfavea prevê queda de 11% nas exportações em 2020.

Em 2018, 70% das exportações de veículos nacionais foram para a Argentina. Em 2019, a participação do país vizinho foi reduzida para 19%.

Com o impacto da queda nas exportações e da crise que atingiu o país nos últimos anos, o Brasil perdeu uma posição no ranking de maiores produtores de veículos do mundo.

O país fechou 2019 na oitava posição. No início da década, parecia que iria se estabilizar na sétima colocação.

O dado já foi pior: em 2015 e 2016, o Brasil esteve em nono lugar.

O resultado é visto na mudança do fluxo de capital. Entre 2010 e 2019, as matrizes enviaram US$ 29,2 bilhões para o mercado nacional, enquanto cerca de US$ 18 bilhões de lucros e dividendos foram remetidos ao exterior no mesmo período.

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