Descrição de chapéu Coronavírus

JPMorgan e Goldman Sachs projetam profunda retração e PIB brasileiro na casa de -1% neste ano

Governo vai rever projeção de crescimento 'bem abaixo' da estimativa atual, de 2,1%

São Paulo e Brasília | Reuters

Os bancos JPMorgan e Goldman Sachs passaram a prever contração da economia brasileira neste ano, com o PIB (Produto Interno Bruto) afetado pelos efeitos globais do coronavírus, segundo relatórios desta quarta-feira (18).

Na véspera, o Credit Suisse havia reduzido sua projeção de expansão de 1,4% para zero.

O JPMorgan projeta queda de 1,0% no PIB em 2020, ante expectativa anterior de crescimento de 1,6%, com uma "profunda recessão" no primeiro semestre.

O banco espera retração de 3,5% da economia no primeiro trimestre deste ano ante os três meses anteriores (com ajuste sazonal), devido sobretudo ao golpe contra o PIB global e a temores do Covid-19 no país.

Já no segundo trimestre o JPMorgan calcula um tombo de 10%. Para a instituição, as medidas para conter o surto, junto com o aperto nas condições financeiras e uma recessão globais, terão um "papel crucial".

"Julgamos que o segundo trimestre poderia ser ainda pior, mas as medidas fiscais anunciadas por autoridades devem suavizar os efeitos", disse o banco em relatório.

O Goldman Sachs também cortou sua projeção para a economia em 2020, de expansão de 1,5% para contração de 0,9%.

"A combinação de demanda externa por bens e serviços em declínio, piora dos termos de troca, aperto significativo das condições financeiras domésticas e impacto econômico das medidas em rápida escalada para lidar com o surto de Covid-19 , dentro das fronteiras nacionais, nos levaram a revisar ainda mais para baixo nossas perspectivas para as economias da América Latina”, disse o Goldman também em relatório.

Nesta quarta-feira, o UBS baixou a 0,5% sua expectativa de crescimento para o PIB brasileiro neste ano, depois de uma taxa já revisada para baixo de 1,3% (contra 2,1% antes).

Devido a medidas de contenção da Covid-19, o banco vê um cenário de contração de 0,1% no primeiro trimestre em relação ao último de 2019 e de 1,6% no segundo trimestre.

Na terça, o Santander Brasil reduziu sua projeção de 2% para 1% em 2020. A instituição espera queda nos dois primeiros trimestres, mas trabalha com uma recuperação no segundo semestre, em um cenário em que haveria retomada da atividade a partir do controle da propagação do vírus.
Com a retomada mais lenta, o banco revisou também a expectativa de crescimento de 2021, de 2,5% para 2%.

Na sexta-feira passada (13), várias instituições revisaram seus números para o Brasil: o banco UBS, de 2,1% para 1,3%; o JPMorgan, de 1,9% para 1,6%; o Bank of America, de 1,9% para 1,5%.

O economista-chefe do banco BV, Roberto Padovani, revisou sua estimativa de 2,5% para 1,5%, considerando a expectativa de impacto similar ao de outros países, com o pico da doença no Brasil e nos EUA nas próximas semanas.

De acordo com o boletim Focus, do Banco Central, a mediana das projeções dos analistas consultados para o crescimento do PIB deste ano caiu de 2,23% para 1,68% nas últimas quatro semanas.

O secretário especial de Fazenda do Ministério da Economia, Waldery Rodrigues, afirmou nesta quarta que o governo vai rever a projeção de crescimento do PIB de 2020 para um valor "bem abaixo" da estimativa atual.

Na última semana, o governo já havia revisado a perspectiva de alta da atividade de 2,4% para 2,1%. O número, porém, ainda não considerava o agravamento da crise do novo coronavírus e da guerra comercial do petróleo.

"[A nova projeção] está bem abaixo desse 2,1% e um valor em linha com o mercado. De fato, várias projeções já indicam valores entre 0,5% e 0%. os nossos números refletem todas essas alterações e comentaremos na sexta feira (20)", afirmou.

A nova revisão não deve afetar as contas do governo no relatório de avaliação fiscal que será divulgado nesta sexta. O impacto deve ser carregado para a próxima divulgação do documento, em maio.

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