Descrição de chapéu Coronavírus

Petrobras saca R$ 40 bi com bancos para enfrentar crise do coronavírus

Empresa anunciou também adiamento do processo de venda de suas refinarias

Rio de Janeiro

Diante da crise provocada pela pandemia de coronavírus, a Petrobras decidiu sacar US$ 8 bilhões (cerca de R$ 40 bilhões) de linhas de crédito contratadas nos últimos anos. A companhia anunciou também o adiamento do processo de venda das refinarias.

A estatal sofre com a queda abrupta das cotações do petróleo provocada pelas medidas de isolamento social adotadas em diversos países. Na quarta (18), a cotação do Brent, negociada em Londres, atingiu o menor nível desde 2003.

Para enfrentar a crise, a companhia anunciou nesta sexta (20) que recorrerá a recursos de linhas de crédito compromissadas, tipo de contrato que lhe garante saques de empréstimo quando for necessário.

Nos últimos anos, a estatal fechou uma série desses contratos em uma estratégia para reduzir o volume de dinheiro que mantinha em caixa. As linhas de crédito compromissado funcionariam como uma espécie de colchão pata necessidades.

Tanques da Petrobras são vistos em uma refinaria em Paulínia
Refinaria da Petrobras em Paulínia, São Paulo - Paulo Whitaker - 16.abr.2019/Reuters

"O desembolso é consistente com a estratégia de reforçar a liquidez da companhia, a fim de se resguardar dentro do contexto atual da crise, em função da pandemia de coronavírus e do choque de preços do petróleo", disse, em nota, a empresa.

Na nota, a companhia diz que está avaliando outras medidas para reforçar o fluxo de caixa, como a redução adicional de custos e otimizações do capital de giro. Em 2019, compromissos com o pagamento de bônus de assinatura de áreas do pré-sal contribuíram para reduzir em 44,7% o caixa da estatal.

Ao fim do ano, a Petrobras tinha R$ 29,7 bilhões em seu caixa. No balanço, o presidente da companhia, Roberto Castello Branco, afirmou que as linhas de crédito compromissadas, no valor total de US$ 9 bilhões levaram a empresa a diminuir a meta de caixa mínimo para US$ 5,5 bilhões.

A Petrobras vem dizendo que consegue sobreviver por um ano com os preços no patamar atual, mas analistas já preveem impactos da crise no processo de venda de ativos e esperam alterações na projeção de investimentos da empresa.

Nesta sexta, a estatal informou também que vai adiar o prazo para entrega de propostas para suas refinarias, a principal frente do programa de desinvestimentos da companhia no momento.

A decisão, diz empresa, ocorre em "em função das medidas de prevenção ao coronavírus", que dificulta visitas de potenciais compradores às unidades.

São oito unidades à venda, em processos anunciados em junho de 2019. A meta da estatal era manter apenas as unidades de São Paulo e do Rio de Janeiro, transferindo ao setor privado três refinarias no Sul, três no Nordeste, uma no Amazonas e uma em Minas Gerais.

O mercado já esperava algum atraso no processo de venda de ativos após o recrudescimento da crise global, que derrubou os preços do petróleo e traz incertezas sobre o valor futuro de ativos do setor.

Na nota distribuída nesta sexta (20), a companhia diz que reforça seu engajamento com o projeto de venda das refinarias e de suas respectivas estruturas logísticas, conforme previso em seu plano de negócios.

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