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Crise do coronavírus pode elevar concentração bancária, diz Fitch

Retração deve levar a uma migração de consumidores de volta aos grandes bancos

São Paulo

A crise do coronavírus pode aumentar a concentração do sistema financeiro nos cinco maiores bancos do país (Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander), afirmou a Fitch nesta quarta-feira (4), em transmissão ao vivo.

Segundo a Fitch, a perspectiva é que, como os grandes bancos serão responsáveis pela maior parte de distribuição dos recursos vindos do governo como forma de incentivar a economia, haja uma migração dos consumidores para essas instituições.

De acordo com Jean Lopes, diretor de instituições financeiras na agência de classificação de risco, ainda que o cenário base não seja o de resultados pressionados pela crise ao longo dos próximos meses —principalmente com as recentes medidas do Banco Central de redução de compulsórios e aumento de liquidez—, são esperados impactos na inadimplência e na distribuição da carteira de crédito.

Logo do Bradesco em um fundo vermelho
Volta da concentração do setor viria pela migração de consumidores aos cinco maiores bancos do país: Banco do Brasil, Bradesco, Caixa, Itaú e Santander - Paulo Whitaker - 02.out.2018/Reuters

A expectativa, segundo Lopes, é de uma redução no número e no tamanho das agências físicas e uma ampliação no uso dos canais digitais.

“Ainda é cedo para dizer o futuro depois da crise, mas analisamos um aumento acentuado da inadimplência, uma redução de rentabilidade e, depois, um momento de concentração bancária”, afirma o executivo.

A possibilidade de inadimplência maior, ante a dificuldade de geração de caixa por parte das empresas e de renda por parte das famílias, já afetou a perspectiva em relação ao setor bancário. Na segunda-feira (30), a Fitch já tinha revisado suas perspectivas para o segmento de “estável” para “negativo”.

“Entendemos que o ambiente ficará mais difícil para o setor bancário. Há expectativa de maior renegociação e de uma redução relativa na procura por produtos bancário”, diz Claudio Gallina, diretor sênior de instituições financeiras da agência de classificação de risco.

Bancos pequenos e médios

Segundo a Fitch, os bancos pequenos e médios podem acabar tendo um fôlego maior nesse primeiro momento poque estão mais capitalizados e têm uma boa carteira de crédito.

"A questão é a velocidade e a profundidade da piora da economia. Fazendo a ressalva de que tudo pode mudar rapidamente, a linha de capitalização desses bancos está adequada”, afirma Lopes.

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