Sem acordo definido, fusão entre Boeing e Embraer corre risco de ser cancelada

Partes têm até o final desta sexta-feira para resolver a questão; fusão ainda depende de aprovação da UE

Paris | Reuters

O acordo de US$ 4,2 bilhões para a Boeing comprar o controle da divisão de aviação comercial da Embraer atingiu um obstáculo para implementação, criando incertezas sobre o negócio a menos que um avanço seja obtido rapidamente, disseram fontes à agência Reuters.

As companhias mantêm conversas para determinar se várias condições contratuais foram cumpridas para a implementação da venda, incluindo a forma pela qual a joint-venture 80% controlada pela Boeing vai ser criada e financiada. As partes têm até o final desta sexta-feira para resolver a questão.

O acordo também depende de aprovação da União Europeia, que afirmou anteriormente que precisa aguardar até agosto para completar uma análise sobre a transação. Mas a aprovação das autoridades europeias não é considerada como o principal obstáculo para a conclusão do negócio.

Representantes das duas empresas não comentaram o assunto.

Embraer E190-E2 ao lado de um Boeing 737 MAX durante o show aéreo de Paris de 2017
Embraer E190-E2 ao lado de um Boeing 737 MAX durante o show aéreo de Paris de 2017 - Pascal Rossignol - 16.jun.2017/Reuters

Sob um acordo preliminar assinado no início do ano passado, Boeing e Embraer tinham até esta sexta-feira —15 meses após a assinatura inicial— para concluir o acordo e implementar uma série de termos e condições de ambos os lados.

Pessoas familiarizadas com o assunto enfatizaram que o prazo termina à meia-noite de São Paulo e que ainda pode ser alcançado um acordo para resolver diferenças pendentes, embora duas fontes tenham dito que as negociações não estavam avançando rápido.

A Embraer disse nesta semana que negociava com a Boeing para estender o prazo de 24 de abril para fechar o acordo e que não havia garantias sobre se ou quando poderia ser concluído.

A ação da Embraer caía cerca de 11%, em dia forte queda do Ibovespa, após o ministro da Justiça, Sergio Moro se demitir acusando o presidente Jair Bolsonaro de interferência política na Polícia Federal.

A agência Reuters publicou no mês passado que mercados fracos levantaram questões urgentes sobre o rumo do acordo da Boeing com a Embraer. A queda nas ações da Embraer e as preocupações com o caixa da Boeing, na esteira do impacto da epidemia de coronavírus nas viagens aéreas, minaram os fundamentos econômicos da transação.

Uma fonte familiarizada com as negociações disse que a Boeing segue comprometida com o negócio e que seria complexo reverter a divisão do braço comercial da Embraer, cujos jatos regionais E2 competem com o Airbus A220.

Analistas não descartam uma segunda tentativa de concluir o acordo estratégico se o negócio fracassar.

O contrato tem uma multa de rescisão de US$ 75 milhões, subindo para US$ 100 milhões se for por motivos antitruste, de acordo com uma cópia do acordo enviado às autoridades dos EUA.

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