China deixa de ter meta para o PIB pela primeira vez desde 1990

Economia chinesa teve queda 6,8% no primeiro trimestre do ano devido ao coronavírus

Pequim | Reuters

A China desistiu de sua meta de crescimento anual pela primeira vez nesta sexta-feira (22) e prometeu mais gastos do governo conforme a pandemia de coronavírus afeta a segunda maior economia do mundo, adotando um tom sombrio para a reunião do Parlamento deste ano.

A omissão no relatório de trabalho do primeiro-ministro Li Keqiang marca a primeira vez que a China não determina uma meta para o PIB (Produto Interno Bruto) desde que o governo começou a publicá-las em 1990.

A economia encolheu 6,8% no primeiro trimestre, primeira contração em décadas, afetada pelo surto do novo coronavírus que começou na cidade central chinesa de Wuhan. O declínio foi maior do que os 6,5% previstos pelos analistas em uma pesquisa da Reuters e reverte uma expansão de 6% no quarto trimestre de 2019.

No ano passado, a economia da China cresceu no seu ritmo mais lento desde 1990, enquanto a taxa de natalidade do país caiu ao nível mais baixo da história. O PIB de 2019 cresceu 6,1% em 2019, dentro as expectativas de analistas, mas também revelando uma economia sob a pressão de gastos fracos dos consumidores, desemprego crescente e problemas no sistema bancário.

"Não determinamos uma meta específica para o crescimento no ano, principalmente por causa da situação global da epidemia e a situação econômica e comércio é muito incerta, e o desenvolvimento da China enfrenta alguns fatores imprevisíveis", disse Li na abertura do Parlamento.

O consumo doméstico, os investimentos e as exportações estão caindo, e a pressão sobre o emprego aumenta de forma significativa, enquanto os riscos financeiros estão aumentando, alertou ele.

A China determinou o objetivo de criar mais de 9 milhões de empregos urbanos este ano, de acordo com o relatório de Li, contra meta de ao menos 11 milhões em 2019 e a mais baixa desde 2013.

Antes do Congresso Nacional do Povo, reunião de uma semana do Parlamento, os líderes chineses prometeram ampliar o estímulo para impulsionar a economia em meio a crescentes preocupações de que as perdas de empregos poderiam ameaçar a estabilidade social.

A China busca um déficit orçamentário em 2020 de ao menos 3,6% do PIB, contra 2,8% no ano passado.

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