Descrição de chapéu Coronavírus

Google levou 4 dias para pôr seus 1.000 funcionários no Brasil em home office

Presidente da empresa afirma que não há plano para o retorno, mas diz que não será como antes

São Paulo

O Google levou apenas quatro dias para operacionalizar o home office dos mil funcionários da empresa no Brasil para manter o isolamento social para combater a pandemia do novo coronavírus.

Segundo o presidente do Google no país, Fábio Coelho, a companhia já possuía ferramentas para trabalhar de qualquer lugar. “Mas sempre estimulamos as pessoas a irem para o escritório, que é um ambiente de troca de ideias”, diz.

Agora, Coelho afirma que ainda não existe um plano para o retorno, mas que as coisas não podem mais ser como eram antes.

Fabio Coelho, presidente do Google Brasil
Fabio Coelho, presidente do Google Brasil - Adriano Vizioni - 14.mar.18/Folhapress

Como o Google Brasil fez para que os funcionários fossem para o home office?
A primeira coisa que temos que comentar é que temos uma empresa global que passou pela experiência na China, na Coreia do Sul e em outros países da Ásia. A gente tinha um protocolo a seguir, com estágios de entendimento da gravidade do problema e de quando as pessoas passariam a trabalhar de casa.

No dia 12 de março, em reunião interna, decidimos que estaríamos trabalhando de casa a partir da segunda-feira seguinte. No dia 16 de março 100% dos nossos funcionários passaram a trabalhar de casa. São mil funcionários.

Quais foram as dificuldades enfrentadas?
Foi um processo, não simples, mas bastante pensado e bem executado. Conto isso para que não pareça que estamos minimizando a dificuldade de empresas que não têm tecnologia avançada. Empresas que têm pedaço da atividade em receber clientes, como bar, restaurante, viagens. No nosso caso foi uma experiência que ocorreu sem grande sobressaltos.

Como ficou a produtividade da empresa?
Na verdade, vejo a gente trabalhando mais do que antes. Nosso trabalho ficou mais focado. Adotamos alguns conceitos básicos, o que significa que mantemos as rotinas. Sigo fazendo a reunião com o comercial do Google na primeira hora das segundas. Com o meu grupo de diretores, faço uma reunião diária de meia hora pela manhã. A rotina vale para o trabalho, mas vale para outras coisas. A queda de produtividade é pequena e ela existe porque precisamos do entendimento das diferenças. De coisas que fazem parte da vida de todos nós. Um suporte doméstico que não pode ter mais, crianças em casa, entre outras coisas.

Como foi para os funcionários?
A maior parte já tinha infraestrutura em casa, mas teve gente que precisou de ajuda. Pessoas que estavam com o computador com a chave de segurança desatualizada, precisamos validar a qualidade de conectividade em casa. Garantir que as pessoas estivessem conectadas foi parte do apoio.

Existe previsão de corte de custo ou redução do espaço de trabalho?
Não.Estamos ampliando nosso quadro no Brasil. Precisamos pensar também que na hora que formos voltar para o escritório vamos ter que trabalhar com distanciamento social diferente do de hoje. E talvez isso impacte no espaço necessário, mesmo que mais pessoas façam home office.

Vocês pretendem manter parte do quadro trabalhando de casa?
Vai haver uma reavaliação das empresas como um todo. Que tipo de experiência você quer em um ambiente presencial? Isso impacta call centers, escolas, escritórios, ambientes que as pessoas iam porque não tinham autorização para fazer diferente.

Se pensar bem, o modelo de trabalho de oito horas, das 8h às 17h, foi criado na revolução industrial. Faz 130 anos! Agora temos as ferramentas e a necessidade de fazer um período prolongado de casa. Abre a porta para a reflexão. Por que as pessoas têm que chegar no mesmo horário? Como as empresas vão se organizar com relação às rotinas para que possam trabalhar e ter interações com clientes e colaboradores?

Como será a volta do Google?
Vamos voltar com cuidado. Não queremos especular sobre a volta, não tem data para isso. Podemos aprender com a experiência dos outros países para poder nos antecipar, mas ainda não temos um plano de retorno.

Tem que ser cuidadosa, seguindo todos os protocolos sanitários de maneira mais abrangente e mais dura.

Com certeza não se volta para o que era antes. O momento coloca uma reflexão sobre como a gente trabalha. Podemos ter dias da semana que só mulheres podem sair, horários que só pessoas de certa idade podem sair. São discussões que estão ocorrendo ao redor do mundo. As coisas não podem ser como eram antes. Não podemos pegar transporte público lotado, até porque não é necessário.

O Google pretende fazer testagem em massa nos funcionários?
Não sei. Ainda estamos com uma discussão bem embrionária sobre isso.

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