Principais dados econômicos mostram fundo do poço em abril e ligeira recuperação a partir de maio

Indicadores melhoram com flexibilização de quarentenas após serviços, indústria e varejo desabarem

São Paulo

A divulgação nesta quarta-feira (17) dos dados do setor de serviços fecha a rodada dos principais indicadores de abril, que deve ficar marcado como o pior mês para a atividade econômica neste ano.

Indicadores antecedentes de maio, sintetizados em um índice criado pelo Ibre (Instituto Brasileiro de Economia da FGV), mostram ligeira recuperação no quinto mês do ano.

Alguns números preliminares para junho também indicam recuperação a partir da flexibilização das medidas de isolamento social nas principais cidades do país.

De acordo com o economista do Itaú Unibanco Luka Barbosa, a maioria dos dados até o momento sugere uma queda do PIB (Produto Interno Bruto) de 8,7% no segundo trimestre, abaixo dos 10,6% projetados há cerca de três semanas, em relação ao trimestre anterior. A instituição ainda projeta retração de 4,5% para o ano.

Ele afirma que parte da recuperação que se esperava somente a partir de julho já está sendo vista neste momento. “A gente está vendo sinais melhores para a atividade econômica, tanto em maio como em junho. Isso também gera um carrego estatístico positivo para o terceiro trimestre."

O economista diz que havia dúvidas sobre se a flexibilização do isolamento se traduziria imediatamente em uma melhora na atividade e que isso vem se confirmando. Afirma, no entanto, que o maior risco ainda é uma nova onda de contaminação que reverta esse processo de reabertura.

Paulo Picchetti, pesquisador responsável pelo indicador do Ibre, afirma que, apesar de os indicadores antecedentes mostrarem recuperação, isso se dá sobre uma base muito baixa de comparação e com riscos associados à propagação do vírus

“As variáveis de sondagem e expectativas e também o comportamento do Ibovespa e dos juros futuros, tudo isso está tendo uma influência de curto prazo por conta da expectativa da reabertura aqui e no restante do mundo”, afirma.

Ele cita ainda possíveis sequelas que serão deixadas pela crise atual sobre o mercado de trabalho, as empresas e as contas públicas. “É bem diferente de uma situação em que está tudo pronto para virar a chave e voltar a crescer como se não tivesse acontecido nada”, afirma.

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